Solidariedade 'salvou' Londrina em 2006
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O ano começou bem para os moradores dos Jardins Maracanã e João Turquino (Zona Oeste). Os bairros foram urbanizados e unificados em torno de um único nome: Poligonal Turquino-Maracanã. A situação das famílias melhorou com a instalação de redes de luz, água e esgoto, asfalto, construção de casas populares, centro comunitário, quadra poliesportiva coberta e unidade básica de saúde. O estigma de assentamento foi deixado de lado, dando novo ânimo às pessoas.
Referência nacional, o Projeto Onde Moras, que comemorou dez anos, entregou 219 casas ao longo dos meses. As residências de dois quartos, banheiro, sala e cozinha foram construídas em alvenaria com material doado pela comunidade. A entrega de mil novas casas está prevista para 2007.
Foi este ano também que a Bebê Clínica completou 20 anos de serviços prestados à comunidade. O projeto contribuiu para que Londrina registrasse um dos melhores índices de saúde bucal do País, com menos de um dente cariado ou restaurado para cada criança de 12 anos, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde.
O programa de coleta seletiva de Londrina ''Reciclando Vidas'' foi selecionado para representar o Brasil num evento em Dubai, nos Emirados Árabes. As ações ultrapassaram a marca diária de 100 toneladas de lixo reciclável coletado - um dos maiores índices proporcionais da América Latina.
Também foi em 2006 que Londrina competiu com San Salvador (El Salvador) e atingiu sua sétima vitória seguida no Dia do Desafio, competição mundial que visa estimular a prática de exercícios físicos. Ainda este ano, o estudante secundarista João Carlos de Oliveira, 18 anos, foi um dos selecionados entre 2,2 mil inscritos para integrar a edição 2007 do programa ''Jovem Embaixador'' da Embaixada Americana no Brasil, com direito a conhecer a secretária de Estado norte-americana, Condolezza Rice.
Um fato inusitado aconteceu em abril, quando o estudante Aluísio Júnior, 23 anos, devolveu dois cheques no valor total de R$ 9,5 mil, que encontrou no Calçadão. Outro fato curioso foi a descoberta de uma nova espécie de cascudo, jamais catalogada nas águas do Médio Tibagi. O feito foi da pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Sirlei Bennemann, durante visita à aldeia kaingang Mococa, em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), em julho.
Em dezembro, os índios Kaingang da reserva Apucaraninha, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina) receberam a primeira parcela da indenização por danos ambientais provocados pela usina hidrelétrica de Apucaraninha. Foram R$ 2,8 milhões depositados pela Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) em um fundo destinado à comunidade indígena. A prioridade dos índios é investir em agricultura e na implantação do ecoturismo na aldeia.
Ações de voluntariado garantiram o sorriso no rosto de muitas famílias no ano que passou. Em abril, estudantes das redes municipal e estadual de ensino fundamental passaram por consultas e exames gratuitos, numa iniciativa do Projeto Primeiros Olhares, do Hospital de Olhos de Londrina (Hoftalon). Também foi em abril que o Comitê de Solidariedade dos Funcionários da Sercomtel entregou a Casa de Apoio Lucila Balalai, um centro de hospedagem para pacientes do Instituto do Câncer de Londrina (ICL) residentes em cidades vizinhas.
No primeiro semestre, as crianças matriculadas no Centro Municipal Infantil Valéria Veronesi (Supercreche) ganharam uma ludoteca montada com doações. Voluntários construíram fantasias e móveis, instalaram a parte elétrica e até pintaram o chão da creche. O Centro de Educação Infantil Boa Esperança, no Jardim Franciscato (Zona Sul) também foi repaginado por funcionários da White Martins, que pintaram fachada, corrimão de escadas, parque e piso.
As crianças e adolescentes assistidas pelo Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) ganharam uma brinquedoteca, além da reforma e cobertura da quadra esportiva.
A ex-bóia-fria Judith Santiago Paes da Costa, 84 anos, ganhou um presente dos vizinhos. Juntos, eles conseguiram doações de materiais de construção e dedicaram o próprio tempo para assentar tijolos e erguer as paredes de uma casa para a moradora do Distrito de Lerrovile (Zona Sul). Só podemos torcer para que tanta solidariedade acenda a esperança nos corações londrineses de um 2007 ainda muito mais feliz.


