Ercilia Franco dos Santos, Fátima Moreira Lima e  Adalberto Pasqual Bueno: alívio para quem fica nas ruas no inverno
Ercilia Franco dos Santos, Fátima Moreira Lima e Adalberto Pasqual Bueno: alívio para quem fica nas ruas no inverno | Foto: Marcos Zanutto


O que para muitos pode parecer lixo, para outros se tornou matéria-prima para ajudar o próximo. Há dois anos, o Rotary Club Shangri-la de Londrina tem confeccionado sacos de dormir para moradores de rua a partir de guarda-chuvas e sobrinhas danificados. São aproveitadas as capas destes acessórios, que depois de quebrados costumam ser descartados pela população. Em 2018, a entidade ganhou o reforço de paroquianos da Catedral Metropolitana. São eles os responsáveis pela distribuição.

A idealizadora da iniciativa é a empresária Fátima Moreira Lima. "Sempre que ia para academia, no início da manhã, via os moradores de rua sem proteção. Lembrei que uma amiga me deu uma capa, que levava para todos os lados quando viajava, porque era confortável e quente. Meu marido trabalha em Curitiba e sempre me pedia para comprar guarda-chuva, porque os dele quebravam com o vento. Pensei se aquelas tecidos de guarda-chuva que não tinham utilidade poderiam se transformar em algo de útil", conta.

A ideia deu certo. Lima fez um protótipo do saco de dormir e depois fez melhorias. "Vi que apenas uma camada de capa era insuficiente e seria preciso que fosse duplo, para ficar mais reforçado. Ele é impermeável e quente. Também buscamos uma maneira que fosse fácil para carregar. Entreguei estes primeiros para alguns moradores de rua da região do Zerinho (no Bosque Central) e fiquei monitorando se iriam descartar. Pelo contrário, todos que entreguei foram usados", relata. Leve, os sacos possuem corda e capuz, em que o material pode ser dobrado e guardado dentro deste compartimento, facilitando o transporte.

PARCERIA
Neste período a empresária levou a iniciativa até os membros do Rotary Club Shangri-la, que gostaram e começaram a ajudar arrecadando restos de guarda-chuvas. "As capas são lavadas, passadas e as varetas, depois de retiradas com cuidado para não rasgar o tecido, são levadas para a reciclagem. Existe todo um ritual e que é feito com muito carinho", destaca a bibliotecária Ercilia Franco dos Santos, que é voluntária no Rotary. Uma costureira foi contratada para produzir os sacos de dormir, que são costurados conforme a demanda.

"Em 2017 começamos a buscar entidades que atendem moradores de rua para que pudessem fazer parte deste trabalho. Em uma missa na Catedral fomos orientados a falar com os Vicentinos - grupo de leigos católicos voluntários que visa atender necessidades espiritual e material dos mais pobres - , já que eles têm um controle maior para poder entregar. Foi quando aceitaram e formamos esta parceria, que vem para aliviar quem fica nas ruas neste período de frio", afirma Fátima Lima. Nos últimos dois anos foram confeccionados e distribuídos aproximadamente 50 sacos de dormir. O inverno começou no dia 21.

SERVIÇO
Quem quiser ajudar pode doar guarda-chuvas ou sombrinhas danificados na secretaria da Catedral Metropolitana de Londrina, na Travessa Padre Eugênio Herter, centro

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