Solidariedade nas tardes de terça-feira
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terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
''Só quem tem amor de mãe consegue se sensibilizar com as dificuldades das outras mães.'' É assim que Ivonete Antunes Martins justifica os mais de 20 anos atuando como presidente do Clube de Mães do Instituto Londrinense de Educação de Crianças Excepcionais (Ilece).
O Clube realizou no último sábado um bazar no hipermercado Super Muffato, na avenida Duque de Caxias, para angariar fundos à instituição através da venda de artesanatos, confeccionados pelas próprias mães e por alunos do Ilece. Aproveitando a proximidade das festas de fim-de-ano, as integrantes do grupo confeccionaram enfeites natalinos, como árvores de Natal, botas de Papai Noel, toalhas e panos-de-prato, além de bordados, crochê, tricô, porta guardanapos, caixas e outros.
Segundo Ivonete, cerca de 15 mães costumam reunir-se todas as terças-feiras para fazer os trabalhos, durante todo o ano. ''É uma tarde muito gostosa, em que podemos trocar experiências. É também um aprendizado, já que uma ensina pra outra, e sempre tem voluntário que vem ensinar novas técnicas, como patchwork e mosaico'', conta. Geralmente, os artesanatos ficam à venda em uma sala na sede da avenida Juscelino Kubistchek. Além disso, elas organizam chás-bingos mensais e participam de feiras. ''Nós fazemos tudo com muito amor, porque só Deus sabe quão gratificante é ver o sorriso dessas crianças, a alegria que a gente vê nelas. Não há dinheiro que pague'', justifica.
Todo o dinheiro arrecadado é utilizado para a compra de medicamentos, cadeiras-de-rodas, botas ortopédica, pagamento de consultas e outras necessidades dos alunos mais carentes, cujas famílias não têm condições financeiras de arcar com esses custos. Uma equipe faz a avaliação sócio-econômica da família e, quando necessário, o grupo de mães contribui também com cesta básica, roupas e móveis doados pela comunidade.
Segundo a presidente, o instituto é administrado por uma ong, e recebe recursos do governo federal, estadual e municipal, além das doações da comunidade. Ainda assim, o dinheiro do Clube de Mães também é usado para melhorar a estrutura da escola quando preciso, através da compra de equipamentos como ventilador e cadeiras.
Há pouco mais de dois anos, o clube ganhou uma sede com cozinha, quarto para guardar os materiais e uma sala para realizar os trabalhos. ''É o meu mundinho. Vou lá quase todos os dias'', conta Ivonete, referindo-se ao que as mães já se habituaram a chamar de ''nossa casinha''.
A escola tem atualmente 350 alunos, com idades entre 5 meses e 58 anos, e conta com serviços de fisioterapia, odontologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, neurologia, pediatria, psicologia, pedagogia e assistência social. O Ilece tem duas sedes, uma na região central, para alunos de até 14 anos, e outra para os mais velhos, que oferece aulas profissionalizantes, como marcenaria e reciclagem de papel. Segundo a presidente, pelo menos 25 ex-alunos já estão inseridos no mercado de trabalho, em supermercados, malharias e indústrias.
Serviço:
Os produtos estão à venda na sede central do Ilece, na avenida Juscelino Kubistchek, 1.792. A loja funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial. O último chá-bingo do ano vai ser realizado dia 13, a partir das 14h30. Mais informações pelo telefone (43) 3324-3906


