Solidariedade marca celebrações do Natal
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domingo, 21 de dezembro de 2003
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
O espírito de Natal é também de solidariedade. Seja fazendo doações a quem precisa, seja distribuindo brinquedos às crianças, seja vestindo-se de Papai Noel para garantir o clima natalino pelas ruas da cidade. As iniciativas estão por toda parte e se multiplicam a cada ano em uma espécie de corrente do bem.
O Natal é uma chamada para lembrarmos o lado mais humano de Deus e ressuscitarmos o nosso lado mais humano, o melhor em nós mesmos, diz o padre Oscar Beozzo, diretor do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular. É o momento em que as pessoas param para pensar não somente nelas, mas nos outros e na sociedade. Tem a ver com a fé de cada um.
Em Londrina, a iniciativa de um grupo de 15 profissionais liberais garante há dois anos um Natal mais feliz às crianças carentes do Jardim São Jorge (Zona Norte). Segundo uma das organizadoras, que prefere não se identificar, a rede de solidariedade cresceu e a equipe conseguiu arrecadar mais de mil brinquedos novos e usados. Os profissionais ainda receberam doações de balas, cachorros-quentes e refrigerantes.
A distribuição dos presentes começou no início da tarde de ontem no pátio da Escola Municipal Atanásio Leonel. Dois Papais-noéis se encarregaram da entrega dos kits, juntamente com abraços apertados e votos de Feliz Natal. De acordo com a diretora da escola, Maria Inês Lozano, 54 anos, mais de trezentas senhas haviam sido distribuídas para as crianças do assentamento. É louvável este tipo de atitude; a comunidade é muito pobre e sobrevive basicamente da solidariedade da população, elogiou Lozano.
Os irmãos Denis, Jhones, Jonathan e Jhenifer estavam radiantes com o Natal antecipado. As mãos pequeninas mal conseguiam dar conta de tantas guloseimas e brinquedos. Os três meninos, com idades entre sete e 10 anos, ganharam carrinhos. Jhenifer, 6 anos, ainda aguardava o presente na fila. A mãe das crianças, Débora Ferreira Nunes, 31 anos, emocionou-se com a alegria dos filhos. A situação este ano está muito difícil. O meu marido está desempregado e não sei se teremos o que comer no Natal, comentou.
A publicitária Nair Barros Nogueira de Paula, a Naná, de 45 anos, achou que os colegas de trabalho da DM9DDB, de São Paulo, precisavam de uma pausa no cotidiano agitado de uma agência de publicidade. Pensou: Que tal colocá-los para tricotar?. Ao mesmo tempo queria contribuir com o Natal de pessoas carentes. Uniu as duas coisas. Conseguiu um bom desconto em uma loja de lã e agulhas e pôs em prática a sua idéia.
Ensinou tricô a quem se dispôs a participar da brincadeira, definiu alguns critérios, como tamanho e quantidade de lã, para dar uniformidade ao trabalho. O restante ficou por conta da criatividade de cada um. Tratando-se de uma agência de publicidade, o resultado foi um colorido e único cobertor de casal que será leiloado entre os funcionários da agência.
Com o dinheiro arrecadado, cestas de alimentos serão compradas e doadas a uma instituição de caridade. Todos têm vontade de ajudar, mas não sabem como ou não têm tempo. Desse jeito, em que cada um faz um pouquinho, todos quiseram participar, diz Naná. É um trabalho transformador. A gente se aproxima, se conhece, se ama mais. Final de ano é final de tudo, tempo de fazer um balanço. E quando você pára e pensa no outro, já está crescendo. As ações de Natal podem estimular outras durante o ano. (Com Agência Estado)


