Marcelo AlmeidaAraújo procura algo que lhe sirva entre as roupas, sapatos, alimentos e brinquedos doadosUm lindo dia de sol e a ajuda de parentes, amigos e vizinhos na limpeza e reconstrução das casas destruídas por ventos de 100 quilômetros por hora, na sexta-feira passada, amenizou ontem a tristeza ainda estampada no rosto dos moradores de São José dos Pinhais que perderam parte ou tudo o que tinham na vida. A ajuda veio também do governo do Paraná e da Defesa Civil, que começaram a entregar 5 mil telhas de amianto e 300 cestas básicas às famílias atingidas. Mas o que realmente consola os moradores é a solidariedade da população dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Desde a tragédia, não param de chegar donativos.
Segundo a secretária da Defesa Civil de São José dos Pinhais, Iara Rocha, até ontem haviam sido recebidos cerca de 15 mil peças de roupas, 3 mil pares de sapatos, 70 fogões, 300 colchões, muitos alimentos e brinquedos. Tudo já está sendo distribuído aos atingidos pelo vendaval. A entrega é feita através de uma ficha de identificação assinada por funcionários da Defesa Civil Municipal, que estiveram nas casas destruídas no dia seguinte à tragédia. Com as fichas, os moradores se dirigem ao Ginásio de Esportes de São José dos Pinhais para receber a ajuda.
Espalhados pelo ginásio, os desabrigados vão catando algo que lhes sirva. O aposentado Ademar Ferreira de Araújo, 67, é um deles. Ele perdeu quase tudo, mas continua morando com a mulher na casa 55 da Rua B, no bairro Costeira, apesar da residência estar parcialmente destruída. O vento arrancou o telhado e Araújo cobriu a casa com uma lona emprestada de um vizinho. Os quatro filhos foram para a casa de famíliares.
Marcelo AlmeidaAdenir Gonçalves: ajuda de parentes e amigos para reconstrução
Nem as telhas distribuídas ontem resolveriam o problema de Araújo. Segundo Iara, elas seriam destinadas primeiro aos moradores dos bairros Vila Idalina, Santos Dumont e Jardim Cruzeiro, os mais castigados. Somente a partir de amanhã, os moradores de bairros menos atingidos, como o Costeira, devem receber o material.
Muitos moradores não esperam ajuda da Defesa Civil. É o caso do aeroportuário Adenir Gonçalves, 23 anos. Ele, a mulher e o casal de filhos estavam dentro da casa de madeira que foi arrastada pelo vento por cerca de 20 metros. Agora, com a ajuda de parentes e amigos, Gonçalves pretende construir uma casa de alvenaria. Já tem as telhas, os tijolos, mas ainda faltam areia, cimento, cal e vergalhões.
Pelo menos 34 residências foram completamente destruídas. Outras 240 tiveram estragos parciais.

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