Curitiba - Diariamente, das 9 às 14 horas, 30 internos da Colônia Penal Agrícola, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), dedicam-se ao cultivo de uma grande variedade de legumes e verduras. A plantação, que tem cenoura, alface, brócolis, repolho e outros, assim como a mão-de-obra dos internos, fazem parte de uma rede de solidariedade. Tudo o que é produzido na colônia é encaminhado à organização Pequeno Cotolengo, que cuida de portadores de necessidades especiais.
A ação faz parte do projeto ''Horta Solidária'', uma parceria entre o Pequeno Cotolengo, a Secretaria de Estado da Justiça e empresas do ramo. Enquanto cumprem pena, os internos da colônia participam de cursos de profissionalização na área de agricultura e cultivo de alimentos. A atividade contribui para que o Pequeno Cotolengo resolva uma de suas principais dificuldades, a alimentação.
Em média, são servidas pela organização 800 refeições diárias. Ela também conta com doações de empresários da Central de Abastecimento de Curitiba (Ceasa), mas que não atendem totalmente à demanda. Aproximadamente 200 funcionários e voluntários alimentam-se no local, juntamente com crianças, adolescentes e adultos portadores de deficiência física ou mental que residem no Pequeno Cotolengo. Eles são órfãos e foram encaminhados à instituição por órgãos públicos.
As mudas, sementes e equipamentos para a produção são provenientes de doações de empresas parceiras do projeto. ''Tem dado resultado. Tivemos algumas dificuldades no começo, mas consegui sensibilizar os empresários'', afirma o coordenador de Desenvolvimento do Cotolengo, Orley Boçon.
Na cozinha, os alimentos são acompanhados por uma nutricionista, que aponta os principais benefícios na alimentação equilibrada dos moradores. ''O principal aspecto é que os alimentos são frescos e cultivados sem agrotóxicos. São ricos em vitaminas, minerais e ferro'', explica a especialista Ana Paula Leitoles Remer, que escolhe a variedade junto com um técnico agrícola, de acordo com o período apropriado para o plantio. Os alimentos são cultivados sem agrotóxicos, devido à localização da colônia na Área de Preservação Ambiental (APA) do Iraí.

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