Os três minutos do furacão da sexta-feira foram ‘‘pavorosos’’ na descrição dos moradores de Nova Laranjeiras. Mas agora eles têm pela frente um drama que se prolongará ainda por mais tempo: recomeçar a vida. José Meneguzzo, 28 anos, um filho, tinha uma discoteca frequentada nos finais-de-semana por pelo menos 100 pessoas. ‘‘A gente ganhava a vida aqui, e não sei se terei forças para recomeçar’’, conta. Agora, as despesas da família terão que ser cobertas apenas com o salário da mulher, Silvana, 24 anos, que ganha cerca de R$ 200,00 como professora municipal.
O imóvel que abrigava a discoteca havia sido construída há três anos. Nada sobrou - inclusive os equipamentos de som foram destruídos. Neusa Langer, 30 anos, uma filha de 2 anos, trabalhava em um mercado recebendo R$ 195,00 ao mês. O mercado foi semidestruído e os donos não sabem quando o reativarão. Neusa teme ficar desempregada. ‘‘Não vai dar, porque meu marido ganha apenas R$ 195,00 por mês na prefeitura’’, relata. A mulher estava trabalhando quando aconteceu o furacão. Ela desesperou-se, porque a filha estava em casa com uma cunhada.
A casa de Neusa ficou em pé, perdendo apenas o telhado. Ao lado dos dramas individuais, outras situações paralelas mostram situação absolutamente inversa a de solidariedade que se estabeleceu entre a população de Nova Laranjeiras e cidades vizinhas. O prefeito José Lineu Gomes relata: ‘‘Lamentavelmente, houve muitos saques, feitos por gente que não se contenta em ver a desgraça’’.
Um um caso em especial está sendo investigado pela polícia: representantes ou funcionários de uma firma que atua com antenas parabólicas teriam passado por toda a cidade para roubar a peça central e mais cara (o motor, ou ‘‘LNB’’) das antenas parabólicas, que existiam em grande quantidade na localidade, por falta de retransmissora de televisão.
Por outro lado, em decorrência da absoluta penúria em que vivem, índios da aldeia existente nas proximidades da cidade têm procurado restos de alimentos e roupas, em meio aos escombros

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