Solidariedade de norte a sul
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quinta-feira, 08 de junho de 2017
Simoni Saris Reportagem Local 
Em julho de 2016, a Biblioteca Solidária do Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina) era o início de um sonho idealizado por Joseleide Aparecida de Oliveira Baptistella. Moradora do bairro, ela reuniu uns poucos livros que tinha em casa, organizou o acervo de forma improvisada em caixotes pintados à mão e alugou um pequeno imóvel para receber as crianças que quando não estavam na escola, costumavam ficar nas ruas. Hoje, o projeto cresceu, foi transferido para um espaço maior e a força e a garra de Joseleide e a colaboração de voluntários estão conseguindo transformar a realidade das mais de 200 crianças que frequentam o local. Os resultados obtidos à custa de muito esforço e dedicação correram pela cidade e chegaram até a Unopar Catuaí (zona sul), onde professores e alunos abraçaram a causa e decidiram incluir o auxílio à comunidade do Vista Bela no projeto Trote Solidário.

Desde o início do ano letivo, alunos e professores de dez cursos da universidade utilizaram o conhecimento adquirido nos anos de estudo em benefício da Biblioteca Solidária. Estudantes de Engenharia Elétrica fizeram a reestruturação de toda a instalação elétrica do espaço, o curso de Arquitetura reformou a quadra esportiva, da faculdade de Artes Visuais saiu a mão de obra para revitalizar a fachada e os alunos de Engenharia da Computação doaram e instalaram oito computadores, além do mobiliário para a sala de informática. Já a participação dos alunos do curso de Jornalismo e Publicidade e Propaganda no projeto deve render um documentário para divulgar o trabalho realizado por Joseleide e por toda a equipe de voluntários que atuam na biblioteca.
Nesta quinta-feira (8), professores e alunos estiveram na biblioteca para finalizar o projeto e a sensação era de dever cumprido. "Desde o ano passado propomos ações diferentes para os alunos para que eles pudessem ser responsáveis por mudar a realidade deles. Temos dois alunos que moram aqui no bairro e eles nos levaram a ideia de colaborar com a Biblioteca Solidária", disse o diretor da Unopar Catuaí, Carlos Henrique Vici. "Primeiro vieram os alunos da Arquitetura e viram que tinha espaço para toda a universidade trabalhar. Em quatro meses de trabalho, a gente vê que está mexendo com o bairro todo. O objetivo é trazer cada vez mais pessoas para dentro do bairro", acrescentou Vici.

"Eles estão mostrando que a universidade pode ir muito além do campus e estou muito confiante de que vamos conseguir ainda mais apoio, inclusive para conseguir o certificado de utilidade pública da Câmara Municipal", disse Baptistella, sem esconder a felicidade de observar o quanto o projeto avançou em menos de um ano. "Agora temos muito mais atividades. Além das aulas de canto e do reforço escolar de português e matemática, agora temos aulas de balé, hip hop, trabalhos manuais para as mães e inglês. E temos também a sala para promover a inclusão digital, com capacidade para oito crianças."
"Achei muito boa a reforma que foi feita aqui. Ficou bem melhor para as crianças. Antes era pouco espaço para os computadores, agora abriu mais. A quadra de esportes também ficou muito boa", avaliou Ingrid Larissa dos Santos Pardim, 12, que frequenta a Biblioteca Solidária desde o ano passado. "Ficou muito bom para fazer as atividades, ler um livro, usar o computador. Venho aqui todas as manhãs", disse Isabele Vitória da Silva Rosso, de sete anos.
"Tenho três filhas e todas elas frequentam a biblioteca. Mas dentro da minha casa, todo mundo usa esse espaço. Minha filha do meio tem transtorno de deficit de atenção e hiperatividade e frequenta o reforço escolar aqui, no período do contraturno. As notas dela já melhoraram bastante", atestou Rubiane Santos Silva, que atua no projeto como voluntária.


