Solidariedade contra a violência
O status de cidade mais segura do País, conforme um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), está relacionado com a vocação solidária da população de Maringá. São 97 entidades assistenciais, espalhadas de norte a sul, que trabalham diariamente com crianças, jovens e adultos em situação de risco. O Lar Escola da Criança, que completa em maio 42 anos, é uma das instituições expoentes dessa pré-disposição em ajudar o próximo.
A irmã e assistente social Cecília Ferrazza, 52 anos, presidente do Lar Escola, conhece muito bem as condições da camada mais pobre da cidade. Visita regularmente os bairros carentes fazendo uma triagem em busca de gente que tenha o perfil exigido pela entidade. Para crianças de 7 a 14 anos, são disponibilizados cursos de informática, sempre no contraturno escolar, música, práticas esportivas e oficinas de bijuteria, bordado e tapeçaria. Além de tirar crianças e adolescentes da rua, e melhorar a auto-estima deles, o Lar tem o propósito de apontar o caminho rumo ao mercado de trabalho. ''Queremos oferecer uma alternativa a mais de trabalho'', afirmou a assistente social.
O Projeto Adolescente Aprendiz, outra iniciativa do Lar, está colocando 60 alunos no mercado de trabalho até o final do primeiro semestre, através de um convênio com 31 empresas e quatro agências do Banco do Brasil.
Para a irmã Cecília, os baixos índices de criminalidade de Maringá, e mais pontualmente o pequeno números de homicídios foram 18 no ano passado, 12 em 2003 e 13 mortes em 2002 são reflexo também do crescimento ordenado da cidade, além do dom de solidariedade. ''Diferente de Londrina, que teve um crescimento desordenado, Maringá teve a oportunidade de trabalhar com medidas preventivas, conseguindo identificar os problemas e atacá-los de forma eficaz'', argumentou.
Irmã Cecília, que trabalhou dois anos como assistente social na Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), recebeu a pesquisa do Ipea com um olhar bem crítico, apesar de achar Maringá realmente mais tranquila em comparação com cidades no mesmo porte. ''É bom viver em Maringá, mas é preciso alertar que também temos nos nossos riscos. Colocamos alarme em casa e nos carros do mesmo jeito. A diferença é que Maringá tem vocação solidária, que cuida das crianças, dos jovens, adolescentes e idosos'', disse. ''Para mim, o futuro do mundo está no trabalho de entidades assistenciais organizadas e sustentáveis'', prosseguiu.
O Lar Escola da Criança recebeu duas vezes (99 e 2003) o Prêmio Bem Eficiente, que premiou 50 entidades do País que mais trabalharam no ano pelas causas sociais e educacionais. (G.G)





