Solidariedade com sotaque
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segunda-feira, 12 de maio de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A dona de casa Marcia Ferraz Brauco, 60 anos, teve o primeiro contato com a língua francesa nos tempos de escola, quando o idioma ainda era ensinado para os alunos. Foi praticamente amor à primeira vista. Mas um amor impedido de crescer por causa das condições financeiras de Marcia. ''Eu sempre precisei trabalhar para ajudar a família e não tinha dinheiro para estudar em uma escola especializada. O amor pelo francês ficou guardado minha vida toda'', conta ela.
Mas o que já parecia impossível aconteceu: Marcia teve sua primeira aula de francês, no projeto gratuito da professora Rita de Cássia Miguita. Ela terá aulas todos os sábados, das 9 às 11 horas, e já faz planos para o futuro. ''Se não fosse esse curso, eu não teria como estudar e agora que consegui não quero parar por nada. Pretendo aprender bem a falar o idioma e um dia poder visitar a França'', comenta.
O projeto existe já há cinco anos e as aulas acontecem na Associação de Moradores Altos do Igapó. ''Temos alunos das mais variadas idades e níveis. Como temos duas salas, os mais avançados ficam em um lugar e os iniciantes em outro. Muitas vezes, os alunos que já falam bem me ajudam a ensinar os outros. A Associação ajuda com o espaço e tenho amigos que doam livros, materiais extras. Os estudantes não pagam nada. Faço isso por amor ao francês e pela vontade de ajudar, de levar às pessoas a cultura da França e a possibilidade de aprender um idioma novo. Acho que isso pode ajudar muito na vida deles, seja culturalmente e até na profissão'', afirma Rita.
A estudante de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elaine Cristina Monteiro, 23 anos, vê no aprendizado a possibilidade de conseguir uma vaga de intercâmbio para a França. ''A UEL tem um convênio para mandar estudantes daqui e receber gente de lá. Existe uma seleção para ficar seis meses estudando na Europa e saber o idioma me coloca na frente de outros estudantes. E se não der para ir agora, posso tentar uma especialização na França quando terminar a faculdade. Também estudo francês porque acho a língua muito chique e bonita'', diz.
Para a irmã dela, a estudante de Arquivologia Keila Clarine Monteiro, 20 anos, estudar francês é uma opção pelo prazer. ''Já estudei inglês e espanhol e agora estou fazendo francês há três anos já. Gosto do idioma, das aulas e pretendo no futuro conhecer a França'', comenta.
A turma conta com 12 alunos que, além de receberem ajuda para poder estudar, também se preocupam com o próximo. A professora montou com eles um coral que visita creches e asilos da cidade para cantar músicas francesas. ''Vamos para alegrar o dia das pessoas e também para levar alguma ajuda. Arrecadamos brinquedos, alimentos ou roupas e levamos para quem precisa'', garante a professora.
E o curso de francês também precisa da ajuda de quem puder colaborar com dicionários e livros didáticos, além de material extra sobre a França e seu idioma. ''Também estamos precisando de um rádio para tocar os CDs e fitas que eu tenho. Mas qualquer ajuda é sempre bem vinda'', completa Rita.
Serviço - Interessados em doar livros e dicionários pode entrar com contato com Rita, pelo telefone (43) 3339-0092 ou 9921-2360.


