Pão da Vida acolhe crianças, adolescentes e adultos (homens e mulheres)
Pão da Vida acolhe crianças, adolescentes e adultos (homens e mulheres) | Foto: Ricardo Chicarelli



A chegada do clima mais frio, que deve perdurar até o segundo semestre, resulta no aumento por vagas nas casas de acolhimento para moradores em situação de rua, que já convivem com a escassez de espaços. Em Londrina, três entidades realizam este trabalho: Projeto Pão da Vida, Casa do Bom Samaritano e Serviços de Obras Sociais (SOS), que somam cerca de 180 vagas. O tempo de permanência é de cerca de 20 dias, mas em alguns casos o prazo é prorrogado.

"Por conta do inverno e do período mais chuvoso, as pessoas que vivem nas ruas acabam não conseguindo se proteger em qualquer espaço, como acontece quando o tempo está mais quente. Então, a demanda aumenta muito, mas o número de vagas não", explicou a gerente de projetos da Pão da Vida, Fátima Reale Prado.

Única entidade que recebe mulheres, a Pão da Vida ainda possui mais quatro casas de acolhimento, destinadas a homens e a crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos, sendo duas de passagem. Todas as cinco atendem 122 pessoas por dia. "A demanda de mulheres é grande nas ruas de Londrina e a única casa para abrigar esse público é a nossa. Das 20 vagas que hoje temos, apenas uma está disponível e já possuímos uma fila de espera", explica Fátima.

A casa feminina também recebe grávidas e mães. Atualmente são três com filhos e uma gestante. Todas recebem acompanhamento e atendimento contínuo 24 horas por dia, ficando o tempo que for necessário. "A mulher na nossa unidade fica até que tenha condição de sair melhor do que entrou. Claro que neste percurso temos recaídas. Em alguns casos, elas também acabam voltando e nós retomamos o trabalho", afirmou a gerente de projetos, que trabalha na Pão da Vida há 15 anos.

De acordo com Fátima, o recurso recebido da Prefeitura para a manutenção do espaço é insuficiente, cobrindo de forma parcial os gastos, o que acarreta em deficit, como o de alimento e produtos de limpeza, que hoje são os principais desafios em todas as unidades da instituição. "Quem nos ajuda a manter é a comunidade. Precisamos de alimentos, produtos de higiene pessoal e materiais de limpeza. São coisas muito urgente e com uma demanda de consumo muito alta", queixa-se. "O índice de doação caiu muito e temos essas necessidades", aponta.

Além de se depararem com diversos problemas sociais dos moradores, as instituições veem no preconceito um dos principais fatores que acaba dificultando a reinserção da população de rua na sociedade. "Trabalhar com adultos é difícil porque não são pessoas que a sociedade busca estar investindo, diferente de crianças e doentes. Então, o preconceito, as fragilidades das redes e a política pública do emprego são grandes os desafios neste serviço", constata Fátima.

CASA
O sorriso e o olhar de quem está em um lugar no qual se sente bem escondem todas as dificuldades pelas quais Vanessa Vieira, de 27 anos, já passou, e ainda passa. Nas ruas desde os dez anos, quando foi expulsa de casa, ela encontrou no Projeto Pão da Vida o sustento que não se resume apenas ao alimento. "O abrigo pra mim é tudo. É o único lugar que eu tenho e posso contar quando preciso comer, dormir e tomar banho. É minha casa", resume.

Totalizando dez anos vivendo na casa de acolhimento, entre recaídas e voltas, Vanessa, que é de Londrina, estava nesta última passagem o fim de abril, após ficar um mês nas ruas. Ela garante que quer participar ativamente do dia a dia da casa, em que possui ótima relação com as moradoras. "Já fiz muitas atividades no Pão da Vida, como curso profissional de maquiadora, técnico de carga e descarga. Estar na casa é muito bom", orgulha-se. "Os funcionários da casa me ajudam a entregar currículos, mas quando coloco o endereço do abrigo não querem me dar serviço. Ainda existe muito preconceito."

SERVIÇO
Mais informações sobre o Projeto Pão da Vida pelo fone (43) 3343-3529

Imagem ilustrativa da imagem SOLIDARIEDADE- Acolhimento que aquece
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