Cerca de 40 jovens confirmaram, ontem, que a cidadania definitivamente não tem tamanho. Nem idade. De casa em casa, passaram recolhendo agasalhos que irão ajudar diversas famílias do município. Eles garantem que não fazem mais bagunça; alguns até aprenderam a marchar, e tem aqueles que fazem parte da fanfarra do bairro. Deixar a rua para participar de atividades cívicas e esportivas, que exercitam a cidadania, tem sido o caminho trilhado por meninos de oito a 13 anos que participam do projeto Cidadão Mirim.
A iniciativa, desenvolvida desde 2002 por policiais militares, oferece oficinas em contraturno escolar para crianças do Jardim Interlagos e Água do Lindóia (Zona Leste). Nesta época do ano, elas são estimuladas a participar da Campanha do Agasalho. Só na manhã de ontem, os meninos conseguiram arrecadar cerca de 60 sacos grandes de 50 litros - de roupas e dois colchões.
A dona-de-casa, Geralda Verlingue da Silva, entregou três sacolas. ''É uma atividade muito importante, porque tira esses meninos das ruas. Além disso, o que não é útil para mim, é para os outros'', conta. Ao se despedir das crianças, talvez sem perceber, revelou o desejo de muitos pais destes jovens: ''Tchau, trabalhadores''.
A expectativa de que os filhos sigam bons caminhos tem feito com que os pais incentivem a participação dos meninos. As próprias crianças contam muitas histórias. Uma diz que a avó quer que ela aprenda uma função para conseguir um bom emprego. Outra revela que está melhorando no futebol uma das oficinas oferecidas pelo projeto -, e tem até quem confesse que não pode faltar no projeto de jeito algum: ''Senão depois eu fico de castigo em casa'', explica Willian Rodrigues de Souza, de 13 anos.
O colega Nayguel Lucas Costa, de 12 anos, conta que, em uma das casas em que foi pedir os agasalhos, foi convidado a entrar e a dona não parava de perguntar sobre o projeto. ''Ela disse que o filho dela era muito bagunceiro e queria saber como ele podia participar. Eu disse para vir falar com o sargento''.
De acordo com o coordenador do projeto, sargento Vilmar Giroldo, podem participar meninos que tenham de oito a 13 anos, estejam estudando e morem nos bairros onde o projeto é desenvolvido. Ele explica que, no contraturno escolar, os jovens participam de atividades que estimulam a disciplina e o desenvolvimento intelectual e motor, através de oficinas de judô e futebol - oferecidas em parceria com a Fundação de Esportes -, instrução militar - onde recebem orientações cívicas e aprendem, entre outras coisas, a marchar -, e participam de uma fanfarra. ''A proposta é tirar essas crianças da rua e possibilitar orientações que sejam importantes para toda a vida delas. É um exercício prático de cidadania'', afirma.

Serviço
Quem quiser doar agasalhos para o projeto Cidadão Mirim deve entrar em contato com o sargento Vilmar Giroldo, pelo telefone 8401 5101.

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