Soldados enfrentarão a Justiça Comum
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Kraw PenasMau exemploOs soldados Kruger (camisa listrada) e Santos (camisa cinza), acusados de roubo e assassinato: antecedentesOs dois policiais militares envolvidos em crimes de assalto e latrocínio foram apresentados ontem em Curitiba. O comando geral da PM revelou o nome de um terceiro policial pertencente à mesma quadrilha, o soldado Celso Ney Chaves, que está foragido. Eles irão responder a processo administrativo e, dentro de 30 dias, deverão estar excluídos da coorporação.
Os soldados do 12º Batalhão Nélson Roberto Kruguer, 40 anos, e Paulo Roberto Ribeiro dos Santos, 34 anos, estão detidos há quatro dias na prisão do quartel. Eles estão à disposição da Justiça comum, explicou o tenente-coronel Aramis Linhares Serpa, comandante do 12º Batalhão. Um delegado da Polícia Civil já foi designado para acompanhar o caso.
A diferença entre os crimes cometidos por eles e pelos policiais de São Paulo, que serão julgados pela Justiça Militar, é que os paranaenses praticavam as ações à paisana, segundo explicou o comandante.
Eles estacionavam a viatura próximo ao local do crime e trocavam de roupa para assaltar. Depois recolocavam a farda e se ofereciam pelo rádio para participar da busca aos assaltantes. Na opinião do tenente-coronel, a prática dos crimes no horário de serviço era um álibi dos PMs, para serem inocentados em caso de denúncia.
Kraw PenasNa mãos dos inimigosTenente-coronel Aramis Linhares Serpa, da Polícia Militar: caso já está com a Polícia Civil, que vai cuidar do inquérito
Apesar de terem confessado os crimes diante dos promotores de investigação do Ministério Público, os dois soldados negaram a autoria dos atos. Num dos assaltos eu estava de serviço e no outro eu estava no velório do meu tio, disse Kruguer, referindo-se aos dois assaltos a supermercado dos quais é acusado.
Num desses assaltos, ocorrido no dia 22 de março no supermercado Lembrasul, em Curitiba, o vigia Aloisio de Campos foi baleado e morto. Eles estão atribuindo os disparos ao único civil que pertencia à quadrilha, Marcos Galvão, que está foragido, contou o comandante.
Um dos funcionários do supermercado, cunhado de Kruguer, também pode ter participado da ação, facilitando o assalto. Acreditamos que a morte do vigia aconteceu no momento em que eles tentaram se apossar de sua arma, declarou o comandante. Galvão, acusado pela morte do vigia, é vizinho do soldado Santos.
O comandante do batalhão disse ter certeza de que os policiais serão punidos e excluídos da coorporação. A PM e o Ministério Público já ouviram quatro testemunhas, além de outras pessoas, incluindo familiares dos soldados. Não há dúvida de que sejam culpados, disse o tenente-coronel.
Os dois soldados são casados, têm filhos e ambos recebiam um salário de R$ 600,00. Krueguer tem 17 anos de corporação e Santos, 14. Eles já tinham algumas anotações de mau-comportamento em suas fichas, confessou o comandante. Nunca foram soldados excepcionais, mas realizavam suas tarefas normalmente.


