Soldados do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Londrina procuraram a Folha para reclamar que o governo do Estado não está pagando o abono de R$ 100, prometidos para os que realizam serviços extraordinários e teria cortado a gratificação especial dos que fazem a guarda externa em presídios, depois de pagá-la por apenas um mês. Segundo os policiais, não houve justificativa de nenhum tipo sobre o corte e a falta de pagamento.
O abono, aprovado no início de outubro pela Assembléia Legislativa e sancionado pelo governador Jaime Lerner (PFL), vale para soldados, cabos e sargentos que façam serviços externos, como a segurança de um jogo de futebol, por exemplo. O policial que trabalhar mais que 44 horas semanais também teria direito ao dinheiro no final do mês.
Já a gratificação para a guarda externa de presídios foi baixada por decreto do governador através de iniciativa da Secretaria de Segurança Pública. O valor varia entre R$ 150 e R$ 220 e está vinculada à função. Os dois benefícios fazem parte do compromisso assumido pelo Palácio Iguaçu, em julho, para pôr fim ao movimento de mulheres de PMs.
Segundo o tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, comandante do 5º BPM, a reclamação sobre o abono demonstra falta de informação dos denunciantes. ''O abono foi aprovado pela Assembléia e sancionado pelo governo no mês passado, mas ainda não havia sido regulamentado. Isso deve acontecer nos próximos dias e os policiais começarão a receber ainda no salário de novembro'', afirmou.
Quanto ao corte da gratificação, a denúncia, segundo ele, é mais séria. ''Eu preciso saber quem são as pessoas que deixaram de receber para conferir se não houve alteração na escala. Se deixou de fazer a guarda externa, quem vai receber é o substituto'', explicou. Se isso, porém, não ocorreu, Guimarães disse que precisaria verificar se houve falha na seção de pessoal do batalhão ou em outros níveis. ''Não é justo que quem trabalhou fique sem receber um direito seu'', afirmou.
De acordo com o comandante, quem se sentiu prejudicado pode procurá-lo sem receio de represálias. ''Meu gabinete está de portas abertas, como sempre ficou. Vamos tentar esclarecer isso e, se houve falhas, corrigi-las'', garantiu.
O secretário de Segurança Pública, José Tavares, afirmou que é impossível ter havido corte na gratificação. Segundo ele, todos que estão trabalhando em guarda externa de presídios têm direito à bonificação. ''É um dinheiro que não dependeu de lei para ser implantado e é uma ação regular paga automaticamente todos os meses. Só não é paga se não trabalhou'', afirmou. Segundo ele, a Casa de Custódia de Londrina, que deve ser inaugurada no próximo dia 20, foi incluída no sistema penitenciário estadual para que os policiais que fizerem a guarda externa também possam receber a gratificação.

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