Curitiba Se depender do Conselho Disciplinar da Polícia Militar (PM) do Paraná, o soldado Ivan Luis Camargo dos Santos, que diz ter sido discriminado por um sargento dentro do quartel da PM em 1998, será expulso da corporação. Ontem pela manhã, o conselho reuniu-se e deliberou pela não permanência de Camargo. Para valer, a decisão ainda depende do aval do comandante-geral, David Pancotti, que pode fazer ratificar a decisão ou substituí-la por uma punição menor.
Camargo, que na Justiça comum já ganhou direito à indenização em primeira instância, foi a julgamento militar pois teria descumprido ordens de conduta da corporação. A PM não detalha o que o soldado teria feito. O advogado do soldado, Rodrigo Aguirre de Castro, no entanto, disse, que uma das denúncias do processo refere-se à participação do soldado em um programa de tevê no qual Camargo teria feito críticas à PM.
Segundo Camargo, sua participação no programa de tevê foi em 2003, pouco tempo depois de ter saído a sentença de condenação do sargento Luiz Honório dos Santos Neto. No âmbito criminal, o sargento foi condenado à pena de regime interno de um ano e meio convertida em pena alternativa. Civilmente, ao pagamento de indenização no valor de R$ 10 mil ao soldado. Na época, o sargento recorreu da decisão.
O advogado disse que vai recorrer da decisão do conselho. Segundoe ele, o julgamento foi baseado em descumprimentos de conduta exigida pela PM, que já haviam sido regularizados. ''Não foi justo. O julgamento não foi baseado nas provas que estavam no autos.''
O Conselho Disciplinar da PM é formado por um capitão-comandante e por dois subalternos. O sargento Luiz Honório dos Santos Neto ainda não foi julgado no âmbito interno. Só pode ser instaurado procedimento contra o mesmo, depois de algumas formalidades legais como o trânsito em julgado da decisão envolvendo o soldado, explicou ontem o major Roberson, da Comunicação Social da PM. A Folha procurou o sargento mais foi informada que ele está em férias.
Representantes de Entidades do Movimento Negro desaprovaram a decisão. ''A pena aplicada ao soldado Camargo caracteriza que não somente o sargento foi racista, como a própria corporação. Para a Comissão, a indisciplina do soldado Camargo teve maior gravidade, já que o crime cometido pelo sargento não foi objeto de ação disciplinar pela corporação'', disseram, em nota oficial distribuída ontem pelo movimento.

mockup