Soldado da PM diz que foi torturado no quartel
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Guilherme Pupo 
Da Sucursal
O soldado Toyah Alexsandro Batista dos Santos, que atuou por dois anos na Polícia Militar do Paraná, é considerado desertor da PM desde 13 de junho de 1996 e está sendo processado pela Vara da Auditoria da Justiça Militar. De acordo com a polícia, ele abandonou o trabalho por mais de oito dias sem justificar sua ausência. A versão do soldado é diferente.
Segundo a advogada de Toyah Batista dos Santos, Maria Noeli Fae, ele sofreu várias agressões, foi torturado e ficou impossibilitado de trabalhar por mais de 30 dias. Ele sempre foi perseguido na corporação. Sofreu ameaças verbais, ficou oito dias detido por prisão disciplinar em maio do ano passado e, ao voltar para casa, foi surpreendido por uma viatura da PM. Foi levado para o batalhão de guarda, junto ao presídio do Ahú, e lá recebeu chutes nas costas e socos em diversas partes do corpo, diz ela. O soldado ainda apresenta marcas nos pulsos e de queimaduras nas orelhas.
Segundo a advogada, as agressões são provadas pelo laudo número 664296 de Lesões Corporais do IML do Departamento de Polícia Civil do Estado do Paraná. As denúncias de agressão foram feitas ao Comando da Polícia Militar, à Secretaria Estadual de Segurança do Paraná, à Ordem dos Advogados do Brasil e à Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional. Na prática, essas denúncias não surtiram nenhum efeito. Até agora nada aconteceu. Nenhum órgão ficou sensibilizado com a questão, observa Maria Noeli Fae.
De acordo com a advogada, o soldado teve que sair de Curitiba por medo de outras perseguições e atualmente está vivendo em outra região do País. Segundo o capitão Marcos Teodoro Scheremeta, da Polícia Militar do Paraná, o soldado tem que ser preso e reincluído na corporação para ser processado. Ele sempre foi problemático durante sua passagem pela PM. Em relação às acusações de tortura e violência, até agora não foi provado nada.


