Guilherme Vieira
A Polícia Militar apresentou ontem à imprensa o soldado Siumar Antônio da Silva, 29 anos, há 5 anos na PM, como o autor dos disparos de escopeta que assassinaram os evangélicos Antonio Marcos da Rocha, 22 anos, e Samuel dos Santos, 17 anos. O crime aconteceu na madrugada do dia 7, enquanto os dois jovens evangélicos faziam uma vigília de orações no local conhecido como Monte Santo, situado na Vila Conquista (Cidade Industrial de Curitiba). Os corpos foram resgatados do Rio Passaúna somente na segunda-feira, dia 9.
O comandante do 13º Batalhão da PM, coronel Elba Maximiliano da Silva Lima, informou que o Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado no dia 12 de fevereiro apurou o envolvimento do soldado Siumar da Silva, que assumiu a autoria dos disparos e a ocultação dos cadáveres. Depois de depor, o soldado foi preso em uma cela do 13º BPM.
O soldado Siumar Silva assumiu todas as responsabilidades pela morte dos dois evangélicos. Ele contou que estava em uma perseguição com outras duas viaturas, a dois fugitivos armados que se dirigiram ao Monte Santo.
Ao chegar ao local, o soldado conta que deixou seu companheiro de ronda na viatura policial, e seguiu sozinho por uma trilha na busca dos fugitivos. Pouco tempo depois o soldado disse ter visto vultos e imediatamente disparou cinco tiros de escopeta.
Ao constatar que tinha atingido dois inocentes, o soldado PM escondeu o fato de seu companheiro e das outras viaturas que chegavam ao local. Ele afirma que apontou outra direção para as investigações, despistando os colegas.
O PM Siumar da Silva diz que também agiu sozinho na ocultação dos cadáveres dos evangélicos. No depoimento ele contou que, depois de terminado o seu turno de trabalho, se dirigiu ao Monte Santo com seu próprio carro. Lá, recolheu os corpos e os abandonou no Rio Passaúna.
A versão apresentada pelo soldado Siumar é posta em dúvida por alguns PMs que não quiseram se identificar. Eles dizem que é muito difícil um policial sair sozinho em perseguição a marginais fortemente armados, ‘‘o que além de falta de prudência é contra o procedimento padrão da PM’’.
O IPM prossegue hoje tomando um novo depoimento do soldado Siumar Silva, e de outros envolvidos no caso, devendo ser concluído no dia 23 de março. Segundo nota oficial divulgada pela Polícia Militar, está sendo instaurado contra Siumar Silva um conselho de disciplina que pode afastá-lo das atividades militares.
A zeladora Maria Aparecida dos Santos, 47 anos, mãe de Samuel, e a diarista Carmélia Bueno da Rocha, 39, mãe de Antonio Marcos, não estavam no quartel na apresentação do culpado. Em declarações à imprensa durante a semana passada, Maria Aparecida disse que pretende ir embora de Curitiba com outros dois filhos. Também em declarações à imprensa, Carmélia afirmou que sempre achou o Monte Santo perigoso e pedia ao filho que tomasse cuidado. ‘‘Eu sempre confiei nos policiais como meus protetores. Tinha muito medo dos bandidos. Agora não sei mais em quem confiar. Conseguiram tirar um pedaço de mim’’, disse a mãe de Antonio Marcos.

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