Sola ressuscita um bom pelica ou o cromo alemão
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de outubro de 1997
Londrina 
Passadas as dificuldades impostas pelas mudanças da economia - nacional e internacional -, as sapatarias que sobreviveram têm agora uma clientela formada basicamente por mulheres das classes sociais média e alta. São pessoas que não foram obrigadas ao consumo de calçados baratos e descartáveis, e que consideram indispensável prosseguir reformando e tomando cuidados de manutenção com seus sapatos finos, normalmente importados.
Às vezes, a gente gosta de um sapato e não quer se desfazer dele, ainda que já o tenha há vários anos. Então, a saída é utilizar os serviços de um bom sapateiro. Ele troca o salto, a sola, tinge, e o calçado fica novinho outra vez, pronto para ser usado por mais alguns anos. Se o sapato é fino, de boa qualidade, vale a pena passar pela sapataria várias vezes, comenta a psicóloga Suleima Milhem Sarht Burgo.
Casada e mãe de duas filhas adolescentes, ela diz que a família sempre se utilizou dos serviços de sapateiros e que considera baixos os preços cobrados por eles. A gente acaba fazendo uma economia, mas não é só por isso que recorremos ao sapateiro quando necessário. Já estamos acostumados o usar o serviço, que é importante e não deve ser extinto. Se isso ocorrer, vai ser muito ruim. Ela diz que está ficando difícil encontrar uma boa sapataria na Cidade.
O lojista Américo César de Novaes explica que os serviços do sapateiro podem significar um bom negócio em tempos de economia estável. Um par de sapatos em cromo alemão pode custar R$ 200 ou R$ 300 e pode durar até dez anos. Neste período, podemos trocar o solado duas ou três vezes. Cada meia-sola custa cerca de R$ 20,00 e deixa o sapato novinho, afirma.
Segundo os sapateiros, 90% dos clientes atuais são mulheres. Os serviços mais procurados são a troca de taquinhos dos saltos - que custam em torno de R$ 5,00 -, substituição do solado, pequenas costuras e pinturas. Eles fazem ainda consertos em bolsas, tênis e cintos de couro. Os sapatos mais levados para reformas são os importados, feitos em cromo e pelica.
Veterinária e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Suely Nunes Esteves Deloni também considera indispensáveis os serviços de um bom sapateiro. Os calçados de hoje, por mais caros que sejam, sempre acabam se estragando, às vezes até por defeito de fábrica. Aí, o sapateiro acaba consertando por um preço bem em conta. Nesta semana, mandei para o conserto um tênis, uma bota e uma bolsa. Tudo ficou perfeito por apenas R$ 9,00, conta.
Ela explica que a bota havia sido usada duas vezes quando começou a soltar a costura. O sapateiro fez um trabalho de qualidade, e ela ficou ótima. O tênis, que veio dos EUA, é o preferido do meu filho Ivan. Também foi recuperado. O nosso sapateiro é muito bom, ressalta Suely Deloni. Assim, com pouco dinheiro a gente consegue recuperar para o uso um calçado, um objeto do qual a gente gosta. Se não fosse pelo sapateiro, logo seríamos obrigados a encostar um calçado que custou caro por pequenos problemas. O que seria muito ruim.


