Sol forte tornou espera ainda mais difícil
Os motoristas que passaram ontem pela BR-116, no trecho entre Curitiba e São Paulo, precisaram ter muita paciência. Com pressa, sem água e comida, e enfrentando muito calor, os motoristas - a maioria caminhoneiros - ficaram presos no congestionamento. As duas pistas e o acostamento foram ocupados pelos veículos e não havia como avançar, nem mesmo em caso de emergência.
O aposentado catarinense Emir Roussenk, 52 anos, estava indo a São Paulo de ambulância para regular o aparelho que ativa o coração. Vítima de uma parada cardíaca, ele havia saído de um hospital de Itajaí, na última sexta-feira e, ontem, enfrentava o congestionamento da BR-116, sem ter por onde desviar da fila de carros. A preocupação da mulher, Oscarina Bonanomi, 56 anos, era que o marido passasse mal. Se dá uma crise nele, não sei como vai ser. O motorista da ambulância procurava a Polícia Rodoviária Federal para arranjar uma solução, mas não havia ninguém por perto.
No carro do comerciante Carlos Roberto Vaz, 25 anos, e da mulher, Vanessa, 24, o cuidado estava voltado para Gabriel, de apenas 20 dias. O choro de cólica se juntava ao de calor. A viagem começou às 5 horas da manhã, mas não tinha hora para terminar. O plano de sair de madrugada para não pegar muito sol na estrada acabou não dando certo. O casal estava indo para a casa da mãe de Vanessa, Edineuza Wolcov, 49 anos, em Santo André (SP). Edineuza também seguia viagem com a filha, o genro e o neto.
O clima de férias da família de Othon Luiz Gordo, 37 anos, acabou com o congestionamento. Gordo, o cunhado, a irmã e a sobrinha tiveram um retorno nada tranquilo depois de 15 dias de descanso em Balneário Camboriú (SC). Gordo saiu da praia às 4 horas e, às 8h30, já estava parado na fila de carros. Às 11 horas, a situação parecia não evoluir. Pelo jeito, devo passar da barreira só às 16 horas. Com certeza não vou chegar hoje no Rio. Enquanto isso, a fome era enganada com biscoitos. Para a sede não havia solução, a água estava acabando.
Cargas - O caminhoneiro Valdeziro da Silva, 44 anos, deveria descarregar sua carga de bananas na manhã de ontem, em Piracicaba (SP), mas às 11 horas ainda estava parado na divisa do Paraná com São Paulo. Com o sol forte, a preocupação era que as bananas amaduracem. Se tiver muito madura, ninguém quer comprar.
O caminhoneiro Jailson Souza de Oliveira, 23 anos, parou no congestionamento às 21h30 de terça-feira. Seguiu viagem até meia-noite, quando o trânsito parou, e depois teve que dormir na pista. Às 7 horas, recomeçou a viagem. Das 21h30 até agora, 11h45, andei só 30 quilômetros. Oliveira transportava geladeiras e deveria entregar a mercadoria em Belo Horizonte (MG), às 8 horas de hoje, mas calculava que só chegaria à noite.





