Nosso astro rei, que andava meio sumidão em 2010, deu as caras com força total desde a última semana no Paraná. Antes de a lua se apagar, o calor já anuncia sua presença. E quando até as madrugadas são escaldantes, o que dizer dos dias? Desde o alvorecer, o sol avisa que a temperatura só vai subir. Dito e feito. As horas avançam e o termômetro acompanha o movimento. A pino, então, não há viva alma que aguente tanta quentura. Só mesmo a tardinha o céu azulado convida ao lazer ao ar livre. Pouca roupa, água de coco, suco, fruta, picolé, cervejinha. Bicicleta, futebol, academia e corrida. Nos trópicos, gostar ou odiar o verão é o que menos importa. É mesmo impossível fugir da temporada.
Durante a semana, a FOLHA percorreu alguns ''points'' em Londrina e confirmou que mesmo quem prefere o friozinho do inverno acaba se rendendo, por diversão ou obrigação, à estação mais quente do ano. Na Feira da Lua, as quartas-feiras chuvosas de janeiro esvaziaram a barraca de delícias japonesas de Eduardo Kubo, 48. Sem contar que os legumes do tempurá ficaram mais caros e mais feios. ''Com o calor o movimento voltou'', comemorou o feirante, cheio de graça.
Na mesa em frente, a família Shinaider também se divertia. ''Prefiro o inverno, mas gostamos muito da feira da lua e estamos achando ótimo o sol'', confessaram o casal Alexandre, 31, e Gislaine, 29. Mas mais feliz estava a filha, Noélia, de 10 anos. ''Adoro o sol porque dá para brincar bastante, ir na piscina, passear'', opinou a menina entre um gole e outro de suco.
No Lago Igapó II (Zona Sul), uma multidão suava nas corridas, pedaladas e com exercícios ao lar livre. Na lotada academia da terceira idade, instalada na sombra, até criança queimava as calorias acumuladas durante o aguaceiro de janeiro. O cinza dos dias anteriores não entendiaram Nydia Bissoqui, 46, e a filha Maria Clara, 5, mas as duas concordaram que, de fato, o sol é melhor companheiro. ''Eu estava de férias e a gente foi para piscina com chuva mesmo, mas quando está calor é muito melhor'', tachou a menina.
Na pista de caminhada, a psicóloga Monique Desiree Rezende, 23, matava a sede com um belo coco verde. ''Gosto de academia mas é muito bom aproveitar o sol para fazer atividade física ao ar livre'', sentenciou a morena. Do lado de dentro do balcão do seu quiosque, o comerciante Carlos Augusto Bentlin, 25, era só sorrisos com o movimento: ''nada como um dia de calor''.
Caldo de cana
Do outro lado da cidade, na Zona Norte, o garapeiro José Renato Pereira, 49, também contabilizava o aumento do lucro com a chegada do sol. Cadeirinhas de praia instaladas na sombra, revistas e jornal à disposição da freguesia e o motor da moenda trabalhando sem parar. ''Foram vários dias de paradeira geral e agora tenho que recuperar o prejuízo'', comentou. E tem gente que aproveitou até uma folguinha durante o expediente para sossegar a garganta com um belo caldo de cana. ''O calor está demais e por isso, sempre que posso, paro para me refrescar'', confessou.
Tempo bom também para a pescaria do carpinteiro Josemar dos Santos, 45, no Lago Norte. ''Com chuva ou com sol eu venho pescar. Mas agora que está quente a gente acaba vindo mais'', disse o pescador de ocasião, revelando que com tempo bom aparece peixe grande. ''Tem tilápia, traíra, tambaqui e até tucunaré. Esses dias mesmo peguei uma tilápia de um quilo e duzentos'', garantiu. História de pescador? O amigo jurou que não.

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