Sol é mais prejudicial à visão das crianças
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Férias escolares. Verão. As altas temperaturas e o maior tempo livre são um convite para a criançada brincar ao ar livre e se esbaldar na praia e piscina. Além da proteção da pele, os pais não devem esquecer de proteger os olhos dos filhos, visto que, ao contrário do que muitos imaginam, os efeitos nocivos do sol à visão são maiores na infância.
Segundo a oftalmologista pediátrica Elaine Ferraresi Sampaio, crianças têm a pupila maior e o cristalino mais transparente, características que permitem maior penetração da radiação UVA e UVB na retina. Outro fator de risco é que os pequenos fazem mais atividades ao ar livre e, portanto, estão mais expostas ao sol.
De acordo com Elaine, negligenciar a proteção ocular pode acelerar o aparecimento de doenças associadas à exposição ao sol, como catarata (maior causa de cegueira reversível), degeneração macular, pterígio (tecido carnoso que cresce sobre a córnea) e inflamação da córnea. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 20% dos casos de catarata decorrem da exposição excessiva ao sol. ''Infelizmente, o que observo na prática do consultório é que a maioria dos pais ainda não incorporou o hábito de proteger os olhos das crianças'', constata a oftalmologista pediátrica.
Pesquisas realizadas em diversos países mostram que para cada criança que protege os olhos do sol há cinco adultos. No Brasil este índice é um pouco mais alto - uma criança para cada seis adultos - pelo menos, entre os que usam lentes corretivas para corrigir vícios de refração (miopia, astigmatismo, hipermetropia). É o que aponta o comparativo de dois estudos realizados pelo oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier - um com 223 adultos em idade acima de 50 anos e outro com 233 crianças entre 10 e 14 anos. Entre adultos, dos 42% que usavam óculos de grau, 30% das lentes tinham proteção UV (ultravioleta) contra 5% das lentes corretivas usadas por 20% das crianças.
Barreiras físicas
Utilizar viseira, chapéu de aba larga ou boné, óculos de sol com proteção UV e evitar atividades ao ar livre nos horários de pico da radiação - das 11 às 17 horas, são as principais formas de proteger a visão das crianças.
''Estas barreiras físicas bloqueiam 50% da radiação solar. Já os óculos precisam apresentar certificado NBR ISO 151111 e proteção contra os raios UVA e UVB. Lentes escuras sem proteção mantêm a pupila dilatada e permitem maior penetração da radiação na retina'', alerta a oftalmologista.
Elaine orienta que as crianças que necessitam de lentes de correção utilizem óculos de sol com grau ou lentes fotocromáticas, que automaticamente escurecem quando a pessoa se expõe ao sol. As recomendações valem mesmo para dias nublados.
A autônoma Keli Adelaide Modesto leva diariamente o filho David, dois anos, para passear no Zerão ou no Lago Igapó, na Área Central de Londrina. ''Mas saímos somente após as 16h30 e o protejo com boné, filtro solar e repelente'', afirma. Keli tem uma preocupação especial pelo fato de o filho ter olhos claros, mais sensíveis ao sol. Ela chegou a comprar óculos escuros para o pequeno, mas ele não se adaptou. ''O David adora nos ver de óculos, mas o dele atira longe'', revela.
Aproveitando os primeiros dias de férias os irmãos José Henrique e André Lucas Yudi Kiyuna e a prima, Gabriela, brincavam sem proteção no parquinho. ''Tenho três bonés e costumo utilizá-los quando o sol está forte, mas agora já é final de tarde'', justifica Gabriela. Já José Henrique confessa que já abandonou há algum tempo o boné. ''Mas é difícil deixar os olhos expostos ao sol. Eles ficam pequenininhos e lacrimejantes'', reconhece. A avó, Regina Massako Kiyuna, confessa que não protege tanto a visão do sol, mas toma o cuidado de levar as crianças para brincar ao ar livre apenas nos finais de tarde.


