Sol, calor e a história de muitos verões
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de janeiro de 1999
Lucilia Okamura 
Entra ano, sai ano e é sempre a mesma história no verão. Apesar das orientações mais que divulgadas sobre os males causados pela exposição excessiva, muitas pessoas ainda insistem em tomar sol sem proteção ou em horário inadequado.
As consequências desses hábitos inadequados são conhecidas: queimaduras, envelhecimento precoce da pele e aumento do risco de câncer de pele. Segundo o dermatalogista de Londrina, Airton dos Santos Gon, uma das principais recomendações é o uso de um filtro solar adequado. O fator mínimo de proteção é 15. Quanto mais clara a pessoa, mais alto deve ser o fator de proteção, observa. O médico esclarece que abaixo do 15 o filtro solar não oferece proteção adequada.
César AugustoAirton dos Santos Gon, dermatologista: É preciso paciência para se bronzearNo mercado são encontrados vários tipos de filtro solar que, de acordo com o dermatologista, são bastante confiáveis. O importante é a pessoa usar um filtro que não deixe a pele vermelha e descamando ao final do dia.
Airton Gon esclarece que, ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o filtro solar não impede que a pessoa se bronzeie. Mesmo usando um fator de proteção 30, se for tomando sol devagar, a pessoa vai conseguir um bronzeado mais uniforme e duradouro. O problema é que as pessoas não têm paciência, ressalta.
O ideal, segundo o dermatologista, é que as pessoas usem filtro solar diariamente, independente de ir à piscina ou praia. E a proteção contra o sol não deve ser feita somente com um filtro solar. Ele observa que é importante o uso de chapéu e roupas adequadas. Fundamental também é tomar sol em horário recomendado, evitando ficar exposto das 10 às 16 horas.
O risco imediato de quem toma sol inadequadamente é a queimadura de 1º grau (vermelhidão e ardor) ou até de 2º grau (quando aparecem bolhas). A pessoa pode ficar desidratada e até precisar de tratamento médico, ressalta.
O dermatologista observa que como o efeito do sol é cumulativo, outras consequências são o envelhecimento precoce da pele e aumento do risco de câncer. Doença que pode ser desencadeada por alterações provocadas pela radiação ultravioleta encontrada nos raios solares e nas lâmpadas de bronzeamento artificial, o câncer de pele é o tipo mais comum de câncer no Brasil e no mundo.
Airton Gon ressalta que até alguns anos, o câncer de pele atingia pessoas com mais de 50 anos, mas que agora vem ocorrendo em pessoas cada vez mais jovens. Hoje, temos visto até pessoas a partir dos 20 anos com câncer, justamente pelo hábito de tomar sol por mais tempo, esclarece. Todos as pessoas podem ter câncer de pele, mas a doença atinge com mais facilidade aquelas com pele, olhos e cabelos claros, que sempre se queimam e nunca se bronzeiam ou se bronzeiam com dificuldade.
Quando descoberto na fase precoce, o câncer de pele pode ser curado. Para prevenir, além de tomar cuidados com o sol, é importante ficar atento a alguns sinais, como um nódulo com aspecto perolado, avermelhado ou escuro. Qualquer mancha de nascimento ou que apareça depois que coce, sangre, modifique-se em cor, tamanho, superfície ou que apresente bordas irregulares também deve ser observada.
Além dos tradicionais frequentadores de piscina ou praia, também necessitam de maiores cuidados os trabalhadores ao ar livre, como pescadores, lavradores e ambulantes. As pessoas que praticam esportes ao ar livre e aquelas que têm antecedentes de câncer de pele na família também devem ficar atentos.
Outro problema muito comum no verão é o surgimento da micose, uma doença causada por fungos que pode se manifestar na pele, nas unhas ou nos cabelos. A micose é mais corriqueira no verão por causa do calor, umidade e aumento da frequência em piscinas, saunas, esclarece o dermatologista Airton dos Santos Gon.
Dos mais de 230 mil fungos existentes, apenas 100 causam micose. O dermatologista explica que os tipos mais comuns de micose são os que surgem nos pés (popularmente conhecidos como frieiras), nas virilhas e no tronco, o chamado pitiríase versicolor. O tratamento é feito através de medicamentos. Ele ressalta que é importante a pessoa evitar a automedicação já que o problema pode se complicar.
Para evitar a micose, o médico recomenda usar sempre chinelos ao frequentar clubes e outros locais públicos; enxugar bem áreas de dobras, como entre os dedos e a virilha; evitar uso de roupas justas, tecidos sintéticos e calçados fechados.


