Soja vai integrar cardápio da Epesmel
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Mário CésarAo trabalho!Vaca mecânica será reativada: funcionários da Epesmel serão treinados para cozinhar a base de sojaAs 900 crianças atendidas pela Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) passarão a contar, a partir de amanhã, com uma alimentação enriquecida com soja. Através de um projeto de parceria entre a Epesmel, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Rotary Clube Londrina Universidade, a vaca mecânica da escola, que estava desativada há alguns anos, volta a funcionar na sua capacidade máxima, produzindo mil litros de leite de soja por dia.
Inicialmente o leite produzido pela vaca mecânica da Epesmel e ensacado na própria escola vai servir apenas os menores e a cozinha da entidade. Posteriormente, suas famílias e também algumas entidades filantrópicas da Cidade serão beneficiadas com o excedente da produção. Técnicos da Cozinha Experimental da Embrapa vão treinar as funcionárias da escola para produzirem também alimentos a partir da soja, como bolo, pães, entre outros.
O lançamento do projeto cooperativo vai acontecer amanhã, às 9 horas, na sede da Epesmel. Trezentos alunos da entidade e a imprensa estão convidados para um café da manhã feito a base de soja. O projeto cooperativo entre as instituições faz parte do programa Soja na Mesa, lançado pela Embrapa no ano passado com o objetivo de enriquecer a alimentação do brasileiro e mostrar à população que soja pode ser uma alternativa saborosa e nutritiva. Originária do Oriente, a soja ainda não faz parte dos hábitos alimentares do brasileiro.
Dois anos é o prazo do convênio, que poderá ser renovado após avaliação dos participantes. O objetivo é difundir o uso adequado da soja, visando o aumento de consumo de seus derivados, além de promover a redução do índice de desnutrição entre as populações carentes.
Para o início dos trabalhos, a Embrapa vai fornecer 40 sacos (2.400 quilos) de grão de soja moída, capaz de produzir 19.200 litros de leite (suficiente para manter o programa por 3 ou 4 meses). Depois disso, caberá ao Rotary encontrar alternativas de viabilizar o convênio, seja através de doações ou campanhas.
Ainda através do convênio, a Epesmel pretende criar um curso profissionalizante de panificador para seus alunos e treinar pessoas de outras comunidades para utilização da vaca mecânica em períodos de ociosidade do equipamento.
O chefe da Embrapa em Londrina, José Francisco Ferraz de Toledo, lembra que o Brasil é o principal exportador de farelo de soja (32% do mercado mundial), o que representa 75% da produção brasileira. Isso significa que um alto percentual de proteína de excelente qualidade é exportado, enquanto que o mercado interno se concentra no consumo de óleo e ração animal, ressalta. Toledo lembra que a Embrapa desenvolveu técnicas de preparo da soja capazes de tornar o grão matéria prima para a culinária tradicional brasileira.
Ontem, representantes das entidades que participam do convênio se encontraram na Epesmel para acertar os últimos detalhes da cerimônia de lançamento do programa. Participaram da reunião Alair Alfredo Berbet, presidente do Rotary Club Londrina Universidade; José de Barros França Neto e Moacyr Brandalise Veras, do Rotary; José Marcos Gontijo Mandarino, da Embrapa; e o Padre Ernesto Camerini, da Epesmel.


