A isoflavona, explica o médico Paulo Moreira, é um fitoestrogênio, substância com ação semelhante ao estrogênio, hormônio natural da mulher, mas com ação mais fraca. Ele quer descobrir se a isoflavona pode beneficiar a mulher durante a menopausa e em que dosagem. Para isso, durante três meses, 256 pacientes, divididas em quatro grupos vão receber cápsulas com doses diárias de 50, 100 ou 200 gramas do produto, ou apenas placebo. Nem a paciente, nem o médico, saberão qual das doses está sendo ministrada. No final da pesquisa, o laboratório responsável pela produção das cápsulas irá divulgar qual a dosagem de cada lote.
Através de exames de densidade mamária, citologia hormonal vaginal e do índice menopausal de Kupperman (índice que dá ''nota'' para os sintomas da menopausa que a paciente apresenta), ele irá avaliar a influência da isoflavona no organismo da mulher. Com isso poderá concluir se a soja pode ou não substituir a reposição hormonal.
Moreira não condena a reposição hormonal e explica que as mulheres não precisam ficar ''apavoradas'' com medo que o tratamento aumente o risco de câncer de mama. Ele defende a individualização do tratamento, ou seja, que para cada mulher seja ministrada uma dose de hormônios necessária para sua queixa específica. ''A pesquisa que mostrou um aumento de 26% no risco de câncer de mama, feita nos Estados Unidos, e divulgada em 2002, era para uma dosagem X de estrogênio e progesterona. E se eu não der essa dose?'', argumentou.
A reposição é feita porque quando a mulher inicia o climatério, o ovário deixa de produzir estrogênio, causando as ondas de calor e outros efeitos indesejáveis, até a última menstruação, que é a menopausa. A queda brusca de hormônios no organismo também facilita o aparecimento de osteoporose. Segundo o médico, a combinação de progesterona e estrogênio na reposição é feita para não aumentar a chance de câncer do endométrio em mulheres que ainda têm útero. O médico explicou que antes do ovário ''falhar'', já começa a faltar progesterona no organismo e a reposição deve ser iniciada.
As mulheres interessadas em participar da pesquisa sobre isoflavona podem procurar o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). É necessário ter idade entre 45 e 60 anos, ter um ano de menopausa, não ter hábitos alimentares que incluam soja e não ter feito reposição hormonal nos últimos seis meses. Para a pesquisa, a isoflavona será ministrada em cápsulas, mas a boa notícia é que, se for comprovada a melhoria dos sintomas da menopausa, as mulheres terão apenas que readequar sua alimentação para ingerir a substância.

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