Soja e chá verde combatem colesterol
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segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Uma pesquisa que está sendo concluída no Laboratório de Pós-Graduação do Hospital Universitário (HU) de Londrina mostrou que a soja e o chá verde (Camellia sinensis) podem ser aliados de peso no controle do colesterol e na melhoria das defesas do organismo contra os radicais livres. A farmacêutica e bioquímica Márcia Bertipaglia Santana deverá defender sua tese de mestrado no ano que vem, mas já obteve resultados conclusivos com três dos quatro grupos de pacientes pesquisados.
A pesquisa é a primeira realizada em seres humanos sobre o uso dos dois alimentos em associação. O trabalho foi feito com 100 voluntários com problemas de colesterol total ou triacilgliceróis acima do normal, que durante 90 dias consumiram a farinha de soja torrada e moída (kinako) e o chá verde. Os pacientes, encaminhados por cardiologista, foram divididos em quatro grupos: um passou a consumir apenas a farinha, outro só o chá, o terceiro consumiu os dois produtos e o quarto grupo, chamado de grupo de controle, adotou uma dieta de redução de gorduras.
Entre os três primeiros grupos, os melhores resultados foram obtidos com aqueles que consumiram os dois produtos em associação. ''De maneira geral, a soja e o chá, juntos, diminuem os níveis das gorduras, aumentando as defesas do organismo.'' Estas defesas, de acordo com a farmacêutica, atuam contra os radicais livres, capazes de desencadear a formação da chamada placa de alteroma, que pode levar ao infarto.
Agora, a pesquisadora irá confrontar os dados obtidos com os três primeiros grupos com aqueles obtidos com o grupo de controle. ''Este trabalho é importante para aquelas pessoas que não têm o colesterol muito alto, porque apesar das vantagens do tratamento natural, há casos em que o medicamento tradicional não pode ser dispensado.'' Entre as vantagens apresentadas pela farinha e pelo chá estão o preço menor e a ausência de efeitos colaterais. ''Mas como cada caso é específico, o paciente deve sempre consultar um médico'', alerta.
De acordo com o orientador da tese de mestrado, o também farmacêutico e bioquímico Décio Sabbatini Barbosa, o recomendável é que seja consumido meio litro de chá por dia, feito com três gramas (1 colher de sopa) da erva. ''É importante que a bebida seja feita com o produto em infusão, e nunca armazenado em recipiente de alumínio'', explica. Quanto ao kinako, a dose diária deve ser de 25 gramas (duas colheres de sopa).
O trabalho de pesquisa contou com a participação de outros profissionais, além de médicos e nutricionista. Empresas processadoras de soja e do chá verde também participaram, doando os produtos para consumo dos pacientes.


