Software ajuda a montar retrato falado
O Instituto de Criminalística do Paraná conta com mais um instrumento para combater a criminalidade. O diretor do instituto, Antônio Siqueira, anunciou ontem em Curitiba que, a partir de agora, a elaboração de retratos falados poderá ser feita com ajuda de um programa de computador. A novidade: um banco de dados com fotografias de características físicas das raças que formam o povo brasileiro estará à disposição dos peritos. O projeto será exportado para outros estados. O investimento na criação foi de R$ 5 mil.
Segundo Siqueira, os ICs do País trabalham atualmente com moldes importados dos Estados Unidos, o que reduz o índice de fidelidade da descrição do criminoso. O programa foi criado pelo perito em computação gráfica do instituto, Roberval Coutinho. Ele revela que o banco de dados foi formado a partir de 10 mil fotos de presidiários do Paraná. Estão arquivados 370 tipos de cortes de cabelo, nariz, boca e olhos. Estes números podem gerar aproximadamente 65 bilhões de combinações, estima Coutinho.
Em média, a fidelidade de um desenho feito à mão em comparação com as lembranças descritas pelas vítimas é de 60%. Com o advento do computador, os peritos chegarão a resultados que beiram os 80%. O objetivo é proporcionar uma figura mais próxima possível do semblante do marginal. A expectativa é de que os retratos falados contribuam ainda mais para a elucidação dos crimes, acredita Siqueira.
Mesmo com a entrada do computador na linha de frente da identificação criminal, a figura do desenhista não será extinta. Até agora, os retratos eram feitos à mão. Os desenhistas do IC vão receber treinamento para manusear o programa. O diretor Antônio Siqueira antecipa que os retratos confeccionados a lápis também continuarão a ser feitos. O sistema vai apenas facilitar o trabalho do desenhista, observa Siqueira. De acordo com o perito Roberval Coutinho, o programa foi projetado para não se tornar obsoleto. O software pode ser usado em qualquer computador existente no mercado, explica Coutinho.
Não é a primeira vez que o Instituto de Criminalística lança projetos para aperfeiçoar formas de investigação. Em 95, foi apresentado um programa de computador capaz de acompanhar, através de fotografias, o processo de envelhecimento de uma criança desaparecida. No mês passado entrou em ação o Laboratório de Hipnose, que pretende ajudar vítimas de crimes a relembrar fatos apagados da memória por causa de traumas.





