A Associação Brasileira de Empresas de Software (Abes) está estudando a possibilidade de processar a Fox Distribuidora de Petróleo, que acusou os fiscais da entidade de levarem disquetes contendo informações sigilosas da empresa durante uma operação de apreensão, na semana passada. A Fox e a Trombini Papel e Embalagens foram acusadas de pirataria corporativa pelos dirigentes da Abes depois que oficiais de justiça encontraram cópias de programas da Microsoft e Symantec nas empresas.
O diretor da Fox, Augusto Cézar Samways, ameaçou processar a Abes por ter realizado a operação numa sexta-feira à noite, sem a presença da diretoria da empresa. ‘‘Quem fez a apreensão foram os oficiais de justiça e não a Abes, que não ficou com nenhum disquete da Fox’’, rebateu Marco Antonio de Souza, advogado da Abes.
Segundo ele, a vistoria, determinada pela 10ª Vara Cível de Curitiba, aconteceu às 15h30, e não ‘‘na calada da noite’’. Souza diz ainda que a apreensão foi acompanhada por Francis Krieck e Luis Alfredo, funcionários da empresa.
A Trombini conseguiu anteontem um despacho do juiz Luiz Taro Oyama, da 17ª Vara Cível de Curitiba, determinando que a Abes não divulgasse o nome da empresa, ‘‘por inexistência do laudo’’ pericial, mas a Abes já havia divulgado o caso. Ontem, a Abes e a Trombini não quiseram comentar o assunto. Segundo assessores da Trombini, a diretoria considera que a Abes fez uma ‘‘armação’’ para envolver a empresa, colocando-a como ‘‘bode expiatório’’ da campanha antipirataria.
De acordo com a Abes, nove em cada dez programas de computador usados em equipamentos de pequeno e médio porte pelas empresas do Paraná são cópias piratas. Na semana passada a Abes começou uma campanha antipirataria no Estado, acompanhando a apreensão de softwares ilegais.
‘‘Enquanto o índice de pirataria no resto do País é de 78%, no Paraná é de 90%’’, afirmou ontem o coordenador da campanha, Rodolfo Fischer. A Abes pretende intensificar a fiscalização no Paraná por causa do grande número de denúncias.
Segundo Fischer, nos outros Estados existe uma consciência maior entre as empresas sobre a ilegalidade da pirataria de softwares, em virtude das operações de apreensão já realizadas anteriormente. ‘‘No Paraná, como não havia fiscalização nenhuma, os empresários se consideravam impunes’’, diz ele.

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