Sofrimento contrasta com fartura
O Brasil é hoje o maior produtor de cana do mundo, seguido pela Índia e Austrália. Essa fartura, porém, convive com denúncias dos trabalhadores. Segundo a assessora da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que atua na região Norte do Estado, Isabel Cristina Diniz, exigem-se esforço e produtividade cada vez maior dos trabalhadores. Segundo ela, nas décadas de 70 e 80, um trabalhador cortava em média de cinco a oito toneladas de cana por dia; hoje, esta média está entre 12 e 15 toneladas.
''Há um padrão de produtividade que exige dos trabalhadores o corte de 300 metros de cana por dia trabalhado. Isso demanda um esforço enorme. Além disso, quando percorremos as fazendas e usinas da região, percebemos que não há ambulâncias por perto para prestar algum atendimento de emergência; fiscais exigem esforços redobrados dos trabalhadores, sem contar que é comum presenciarmos patrões dando vitaminas e estimulantes para que os cortadores possam dar conta do trabalho'', disse.
A CTP encaminha as denúnicas aos órgãos trabalhistas competentes para que as situações sejam averiguadas. ''Temos encontrado trabalhadores de cana com estafa, esgotamento e praticamente acabados, sem condições nenhuma de continuar atuando nessa área'', alertou Isabel.(F.B.)®MDNM¯





