Imagem ilustrativa da imagem 'Sofri bastante', diz mãe que deu à luz na avenida Saul Elkind
| Foto: Gina Mardones



Quem observa o pequeno Icaro dormindo tranquilamente na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, em Londrina, não imagina o alvoroço que o bebê causou logo em seus primeiros minutos de vida. Ele nasceu às 21h08 desta segunda-feira (8), dentro de um carro, na avenida Saul Elkind (zona norte), quando a mãe estava a caminho da unidade de saúde. O parto teve auxílio de policiais militares e quando a mãe, Emily Aparecida de Moraes, 28, deu entrada na maternidade, o cordão umbilical já estava cortado e o ginecologista e obstetra completou o parto, fazendo a retirada da placenta e outros procedimentos de rotina.

A mãe contou que começou a sentir contrações por volta das 11 horas da segunda-feira e, à noite, em casa, percebeu que a bolsa havia rompido. Ela correu a uma unidade básica de saúde e os funcionários chamaram o Samu, mas como a ambulância demorava a chegar e Moraes decidiu então pedir a um vizinho que a levasse de carro até a Maternidade Municipal. "O meu filho começou a nascer dentro do carro. O meu vizinho parou um carro da Polícia Militar que estava passando e pediu ajuda. Meu filho já tinha nascido e o policial tirou o cordão umbilical que estava no pescoço. Depois de tanta dor, está aí o meu filho. Sofri bastante", contou a mãe, que tem outros dois filhos. Icaro nasceu com 2,8 quilos e 47 centímetros.

"A equipe relatou que o homem estava muito agitado, pois a criança já tinha nascido, mas estava sem sinais de vida", disse o tenente Carlos Eduardo Jorge Zech, da 4ª Companhia Independente da Polícia Militar. Os soldados Leonardo e Valotto contaram que o bebê estava com o cordão umbilical envolto no pescoço. "Eles colocaram uma luva cirúrgica, desenrolaram o cordão desobstruindo as vias nasais da criança e imediatamente acionaram o Siate", contou o oficial de comunicação da PM, revelando que o acontecimento não é comum na rotina policial. "Foi algo inusitado", completou.

A avó, Cláudia Aparecida de Moraes, acompanhava a filha no carro e relembra o susto. "A gente ficou apavorado quando viu que o bebê ia nascer no carro. Foi um susto, mas foi emocionante. Nunca mais a gente vai esquecer."

O médico ginecologista e obstetra que atendeu Moraes, Eduardo Cristofoli Silva, disse que mãe e filho chegaram bem à maternidade e o atendimento foi para retirar a placenta e fazer outros procedimentos rotineiros. Silva afirma que não é rara a ocorrência de partos fora do ambiente hospitalar, mas alerta as gestantes para que fiquem atentas aos sinais. Se sentirem diminuição da movimentação fetal, perda de líquido, perda de sangue ou aumento nas dores no baixo ventre, devem procurar uma unidade de saúde o quanto antes.

"Geralmente vai tudo bem com os partos que acontecem fora do hospital, mas se precisar de uma intervenção, pode complicar. As gestantes não devem subestimar os sintomas e, em caso de dúvida, devem procurar uma unidade hospitalar", orientou. Moraes e o filho Icaro deverão ter alta nesta quarta-feira (10).

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