Londrina - Apesar de ser um nutriente essencial ao nosso organismo, o sódio (elemento químico encontrado no sal de cozinha) está na mira do Ministério da Saúde (MS). A ofensiva do poder público ocorre porque está comprovado há bastante tempo que os brasileiros consomem muito mais sódio do que o recomendado.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é o consumo máximo de 2g (2000mg) de sódio por pessoa ao dia. Isso equivale a 5g de sal (uma colher de chá). Vale lembrar que 40% do sal é composto de sódio.
Ontem, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Edmundo Klotz, assinaram o quarto acordo para redução de sódio em alimentos industrializados, sob o entendimento que seu consumo elevado é um dos fatores de risco para o desenvolvimento da hipertensão arterial e doenças cardiovasculares e renais.
Os acordos anteriores contemplam a redução em diversas categorias de alimentos, como massas instantâneas, pães e bisnagas, temperos, caldos, cereais matinais e margarinas vegetais. De acordo com o site oficial do MS, o novo termo se aplica à diminuição em laticínios, embutidos e refeições prontas, em até 68% ao longo dos próximos quatro anos.
Ao todo, são 16 grupos de alimentos atingidos. A meta global do acordo é retirar 28 mil toneladas de sódio até 2020. Porém, no dia a dia, ainda é difícil encontrar pessoas que pensam na quantidade de sódio que estão consumindo, exceto quando há uma recomendação médica por doença ou risco diagnosticado.
"Não penso no quanto consumo, mas sei que tenho que repensar minha alimentação porque comecei a ter problemas de saúde, como gastrite", conta a estudante e auxiliar de educação infantil Ana Luiza Scotton. Ela diz que o café da manhã e o lanche da tarde são consumidos nas ruas. "É sempre um salgadinho e refrigerante. É quase que diário. Gosto de tudo que não é muito saudável", comentou.
Mesmo que uma parcela de sódio esteja presente naturalmente nos alimentos, a maior parte é adicionada pelos próprios consumidores, produtores ou manipuladores, durante a fabricação ou preparo. Nessa hora, faz toda a diferença observar a quantidade de sódio informada nas embalagens.
"É claro que existem as tentações, mas como sou hipertensa há muitos anos aprendi a controlar o sal. Em casa, modero a quantidade na hora de preparar o almoço. Acho que a família toda já se acostumou", afirmou a dona de casa Josiane de Fátima Silva.
Na casa do operador de máquinas Edson Luiz de Jesus, a história é bem diferente. Ele conta que não se preocupa com o consumo de produtos ricos em sódio. "O importante é a comida ficar gostosa. Até penso que poderia reduzir um pouco, mas não tem jeito. Tomo refrigerante quase todo dia e também não resisto a um lanche", disse.
Equilíbrio
A nutricionista Pâmela Vidotti sabe que o consumo em excesso de sódio é um problema de saúde pública e comenta que a correria do dia a dia resulta na busca cada vez maior pela praticidade, o que influencia nos hábitos alimentares dos brasileiros.
Pâmela observa que existem alguns alimentos de maior consumo, principalmente entre estudantes. "O macarrão instantâneo, por exemplo, extrapola a quantidade de sódio recomendada por dia. Outros vilões são os refrigerantes, os congelados, enlatados como ervilha e milho e, os embutidos como salames e mortadela", apontou.
Porém, ela ressalta que "para tudo na vida é preciso ter uma rotina e educação e na alimentação não é diferente". "É preciso buscar o equilíbrio. O brasileiro é habituado a sabores mais acentuados, mas sempre indicamos o consumo de temperos naturais para compensar o sal, como por exemplo, o orégano, cheiro verde, canela."
Em relação ao acordo do MS, a nutricionista declara que os fabricantes também têm seu papel em ofertar alimentos com menos sódio e revela que, apesar da população optar pela praticidade, muitos têm se conscientizado. "Antigamente podíamos até afirmar que a preocupação estava relacionada à estética, vaidade. Hoje, ela ainda existe, mas aliada ao bem-estar e à saúde, principalmente entre aqueles que têm históricos de doenças na família", salientou.

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