Maringá - As duas amigas decidiram comprar umas roupas depois do serviço já que o comércio ia estender o horário por causa do Natal. Na verdade elas nem tinham dinheiro e muito menos 13º salário, pois as duas eram autônomas e viviam de bicos. Objetivo era lascar no comércio uns cheques pré-datados e comprar calças novas para o trabalho e também para visitar a família no final de ano.
A maratona começou pela área central da Avenida Brasil que concentra o maior número de lojas de roupas, mas o itinerário previa ainda uma passadinha no shopping. Pois bem, logo na primeira loja, uma das amigas notou que a compra não iria ser nada fácil. Toda a prateleira e parte de uma imensa arara de roupas só tinham calça capri.
- Vendedora, escuta, só tem calça capri?, perguntou uma das amigas.
A vendedora de pronto respondeu:
- É a última moda. Neste verão só vão usar calça capri e o dono da loja só encomendou modelos assim.
- Mas vendedora, não tem modelo normal, convencional, tradicional, básico?, insistiu a amiga.
- Não. Respondeu secamente a vendedora.
Eis que as duas amigas saíram da loja e daí notaram que as vitrines eram só de calça capri com tudo quanto é tipo de enfeite. Só para lembrar: calça capri é um modelo mais longo que uma bermuda e mais curto que uma calça jeans. Resumindo a ópera: a calça capri deixa as canelas de fora.
Uma das amigas se revoltou e começou um discurso radical dizendo que a moda ditava até a maneira como todo mundo iria se vestir, sem chances para quem não gosta de calça capri. A outra amiga, menos radical e do tipo mais calma, até se extasiava nas vitrines vendo a beleza das calças capri, mas também ficou sem coragem de comprar. A amiga mais rebelde não se conformava e até se arrepiava com a idéia de que poderia ficar com as canelas de fora. Na verdade, ela era baixinha e sabia que a tal da capri não iria ficar bem.
Mas não tinha jeito. Em todas as lojas, as vendedoras só mostravam calça capri. Calça tradicional era artigo raro. No final da história, as amigas ficaram sem comprar calça, o comércio sem vender e a festa de fim de ano com o modelinho básico comprado na véspera do Natal passado.

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