Sid Sauer
De Campo Mourão
5 Marcelo e Clauberto têm 10 anos e passam boa parte do dia juntos. Mas não é em brincadeiras ou aprontando ‘‘molecagens’’. Marcelo Rodrigues da Silva e Clauberto Marcondes – vizinhos na Vila Urupês, um bairro pioneiro de Campo Mourão – são catadores de papel e trabalham juntos porque um só não aguentaria puxar o carrinho de madeira pelos quatro cantos da cidade. ‘‘Mesmo em dois, às vezes dá calos nas mãos’’, diz Marcelo.
A presença de crianças puxando carrinhos para o transporte de papel é cena comum em Campo Mourão, apesar de uma lei municipal obrigar a prefeitura a cadastrar os catadores e impedir o trabalho aos menores de 14 anos. Como a concorrência é grande, Marcelo e Clauberto têm que levantar bem cedo. Às 7 horas eles já estão pelas ruas. Passam pelo centro da cidade, em frente à prefeitura e em frente ao Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente todos os dias. ‘‘Eu gosto de catar papel’’, diz Marcelo. Ele jura que trabalha porque quer, sem a imposição dos pais. Admite, porém, que praticamente tudo o que ganha é dado para a mãe. ‘‘Fico com um pouco para mim e compro bolacha’’, conta. Clauberto diz que também fica com um pouco do dinheiro e gasta ‘‘por a풒. ‘‘De vez em quando compro material de pesca’’, ressalta. Ele diz que gosta de pescar nos sábados à tarde e nos domingos, quando tem folga.
Marcelo e Clauberto estudam à tarde na Escola Mário Quintana. Marcelo está na quarta série. ‘‘Nunca reprovei’’, diz orgulhoso. Clauberto já reprovou duas vezes e está no segundo ano. ‘‘Reprovei porque faltei demais’’, conta. Eles dizem que o fato de trabalhar não prejudica o estudo.

mockup