Sociólogo não índio é diretor interino
Londrina - De difícil acesso, a escola da Reserva Apucaraninha conta com professores que vivem e trabalham na comunidade. Alguns são contratados pelo Estado e outros pela Prefeitura. A maioria não tem formação superior e a renda e o transporte precários dificultam o acesso desses educadores à universidade. Atualmente, apenas um professor se aventura a vir estudar em uma universidade de Londrina, usando carro próprio. Ele chega em casa todo os dias à 1 hora para iniciar o trabalho na escola indígena às 8 horas.
Tão ou mais difícil que a rotina dos professores será o trabalho do sociólogo Rogério Martins Marlier que, aos 30 anos, assumiu a diretoria interina da escola até a realização de um concurso para a contratação de um diretor indígena para o colégio.
Para ele, o desafio se dará "por todos os lados, desde o acesso à escola até a relação com a comunidade", já que Marlier não tem origem kaingang. "Mas mais importante é a minha atuação e a experiência que vou acumular na minha carreira", comenta. "Não ser um indígena é parte chave do processo de estadualização, já que estarei aqui provisoriamente, preparando a escola para que eles elejam um representante deles para o cargo."
Marlier continuará morando em Londrina e viaja diariamente para a reserva, onde pretende implantar um conselho escolar. Sem nunca ter trabalhado com índios antes, ele considera a linguagem um dos maiores desafios, mas garante saber respeitar as tradições indígenas.(M.G.)





