Curitiba Em 1880, chegou a Curitiba o patriarca de uma das famílias de origem nordestina mais tradicionais do Paraná. O advogado sergipano Justiano de Mello e Silva, formado em Coimbra (Portugal), deixou um legado para a cidade. Foi ele um dos pioneiros da imprensa e fundador do jornal 19 de Dezembro. Também criou o Ginásio Paranaense, o atual Colégio Estadual. Justiano ainda foi escritor e autor do livro ''Nova Luz sobre o Passado'', uma interpretação histórica sobre a etimologia das palavras. Quem faz o relato é o bisneto dele Wallace de Mello e Silva, diretor de investimentos da Sanepar.
Para contar a história dos nordestinos no Paraná, o sociólogo Ricardo Costa Oliveira divide a migração em dois momentos. O primeiro ainda no século XIX, na época do Brasil Império, quando observa-se a vinda de uma elite política, a exemplo do próprio Justiano de Melo e Silva. ''Entra um fluxo expressivo de nordestinos da alta burocracia, como bacharéis, médicos, políticos e engenheiros, maioria de origem baiana e pernambucana. Para cá vieram famílias como Cavalcanti de Albuquerque, Leão, Ramos e Muricy'', informa.
Segundo o professor, ainda devem ser lembrados nomes como o do primeiro presidente da provícia do Paraná, o baiano Zacarias de Goés e Vasconcelos, e o do também baiano Carlos Carneiro de Campos, criador do primeiro esboço de Lei do Paraná.''Do ponto de vista político e da formação do pensamento jurídico, o estado deve muito ao Nordeste'', afirma ele.
Outro destaque remete à época do Estado Novo, de Getúlio Vargas. Trata-se do arcebispo baiano dom Ático Eusébio da Rocha. ''Ele foi trazido para cá com a proposta de nacionalizar o clero, que sofria muita influência dos europeus. Aqui existiam muitas escolas que ensinavam na língua dos imigrantes, por exemplo. Houve um esforço do governo para a integração nacional e o nordestino foi o elemento de abrasileiramento nesse processo'', explica Oliveira.
O segundo momento da migração nordestina aconteceu nas décadas de 1940 e 1950, durante a abertura do Norte paranaense. ''Aqui houve a entrada de um segmento mais popular, de trabalhadores rurais e também de alguns negociantes. Houve uma diversificação do nordestino, ligada à expansão do café e ao trabalho urbano'', esclarece o sociólogo. Por isso, em termos relativos, a amior concentração de nordestinos fica no Norte do Paraná. (F.G)

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