Sociólogo da UEL confirma ameaças
O clima tenso e de ameaças foi confirmado pelo professor de sociologia Luiz Norder, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que esteve na região na quarta-feira retrasada. Ele visitou a aldeia a convite dos indígenas, que comemoravam o aniversário de Bertolino Rodrigues, um dos índios mais velhos da reserva.
O professor participou da festa realizada na aldeia e, no dia seguinte, visitou a área acompanhado de outros três índios. ''Eles fizeram questão de me levar até o cemitério indígena e acabamos sendo seguidos por umas cinco ou seis pessoas, que pareciam trabalhar na área, mas que acredito estarem apenas observando os índios ''.
Segundo o professor, essas pessoas seguiram e abordaram o grupo quando uma mulher (identificada pelos índios como Yolanda Garcia, mãe do fazendeiro Vanderlei Garcia), fez ameaças ao grupo. ''Ela alertou de forma ríspida que nenhum índio deveria pisar na terra deles e que se isso acontecesse, eles morreriam''. O fazendeiro Vanderlei Garcia Manzano, dono da área, foi procurado em casa pela reportagem, mas a esposa dele afirmou que ele está viajando.
O sociólogo considera a situação na reserva ''muito preocupante'' e acredita que se nenhuma providência for tomada, ''o pior pode acontecer''. ''Temos um grupo de índios buscando o resgate cultural em terras que pertenceram a seus ansestrais. São crianças que estão aprendendo o guarani, resgatando costumes e mantendo a cultura do povo. É uma situação singular, que deve ser valorizada e preservada no Paraná''. (M.O)





