Mário CésarPolítica femininaDora Barnabé: ‘Trabalhei muito na defesa dos direitos da mulher, já no final da década de 70’A socióloga londrinense Dora Barnabé, 48 anos, diretora da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi escolhida como titular da recém-criada Secretaria Especial da Mulher. O anúncio e o convite foram feitos ontem pela manhã pelo prefeito Antonio Belinati (PDT), no próprio gabinete. A posse será amanhã, às 10h30 da manhã.
A nova Secretaria vem substituir a Coordenadoria Especial da Mulher (CEM), presidida por Cleide Camargo e que pediu demissão do cargo no último dia 26 de dezembro. ‘‘Conheço há muitos anos a capacidade de Dora Barnabé. Sai uma pessoa muito competente e entra outra do mesmo nível’’, disse Belinati.
A nova secretária disse ontem que, apesar de surpreendida, ficou muito satisfeita com o convite feito pelo prefeito. Ela pretende dar continuidade aos projetos que já vinham sendo desenvolvidos pela Coordenadoria. ‘‘Conheço de perto esses projetos, até porque trabalhei muito na discussão de política para defesa dos direitos da mulher, ainda no final da década de 70.’’
Dora Barnabé foi presidente da Frente Democrática da Mulher Londrinense, entidade que funcionou entre 1978 e 1993. Ela lembra que este foi um período decisivo na confirmação dos direitos de gênero no Brasil. A entidade foi uma das primeiras do País a discutir a questão da mulher e editou o jornal ‘‘Brasil Mulher’’.
Dora Barnabé é esposa de Marcos Barnabé, ex-diretor-presidente do Ippul, na administração Luiz Eduardo Cheida (PT), e atual presidente da comissão provisória do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em Londrina. O filho do prefeito, Antônio Carlos Belinati, é vice-presidente do PSB em Londrina e diretor-financeiro da Comurb.
A nova secretária disse que hoje mesmo já pretende reunir funcionários do setor para começar a definir o trabalho. Ela não acredita que a transformação de Coordenadoria em Secretaria possa dificultar o atendimento à mulher na Cidade. ‘‘Pelo contrário. O objetivo não é eliminar projetos, mas reuni-los em diretorias para agilizar o trabalho. Acho que uma secretaria pode implantar definitivamente o atendimento à mulher em Londrina.’’
Cleide Camargo, que deixa a coordenadoria, também esteve ontem no gabinete do prefeito e comemorou a escolha da nova secretaria. ‘‘Dora é uma pessoa que tem uma história de trabalho e uma visão social. A escolha foi para mim uma grata surpresa’’, disse. Elas foram colegas de infância no interior de São Paulo.
Ontem, a coordenadora chegou a negar também que esteja deixando a administração por causa da extinção da CEM. No final do ano passado, ela criticou a transformação da órgão em Secretaria, que até então iria restringir o atendimento apenas às mulheres vítimas de violência física. Por isso, a Prefeitura preparou um projeto de lei para enviar à Câmara criando uma segunda diretoria na Secretaria da Mulher, de acordo com solicitação feita por Cleide.
Assim, a Secretaria teria uma diretoria para atender as mulheres vítimas de violência física e outra para atendimento integral à mulher, que manteria os projetos atuais da Coordenadoria Especial da Mulher. Ainda assim, a coordenadora pediu demissão, alegando que estava sobrecarregada com a acumulação do cargo na prefeitura com as aulas que ministra na Universidade. ‘‘Se não fosse isso, teria ficado.’’

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