Sociedade Rural de Loanda vai fazer 'sepultamento' do Incra
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Alexandre Sanches 
A Sociedade Rural de Loanda (102 quilômetros a oeste de Paranavaí) realiza neste sábado um ato público de sepultamento simbólico do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Das 14 às 17 horas, um caixão será velado com todas as pompas na Praça da República, centro da cidade. Dentro do caixão, uma foice e um martelo vão simbolizar o suposto relacionamento mantido entre o Incra e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). No final da tarde, o cortejo fúnebre seguirá até o lixão municipal, onde o caixão será incinerado.
Segundo o presidente da Sociedade Rural, Ugo Roberto Acorsi, esta é a única forma encontrada pelos fazendeiros para protestar contra o Incra - que, segundo a entidade, não realiza um trabalho satisfatório. Não podemos usar de manifestações sérias, pois não dão mais ibope. Queremos sensibilizar a sociedade de que as invasões de terra são um abuso e uma palhaçada para cima de quem quer trabalhar sério, comentou.
Acompanhado do proprietário rural Vicente Paolozzi, que tem uma fazenda invadida em Santa Cruz do Monte Castelo, e da advogada Dionéia Fróes Dresch, que defende os interesses de fazendeiros, afirmou já ter realizado diversos movimentos, como o Movimento Feminino de Oração, onde as mulheres dos proprietários rurais rezavam pedindo a paz no campo. Defendemos a reforma agrária municipalizada, com as pessoas que foram expulsas da terra. O Incra foi criado com boa intenção, só que não cumpre o seu papel, ressaltou Acorsi.
Para a manifestação foram enviados convites a todas as sociedades rurais do Paraná e de Estados vizinhos, ao governador Jaime Lerner, à Secretaria estadual de Segurança Pública, à superintendência do Incra e à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil. Temos confirmada a presença de representantes de Campo Grande (MS), Presidente Prudente (SP) e municípios vizinhos.
Na região Noroeste do Paraná, o grupo afirma que são 61 propriedades invadidas - sendo que 22 já obtiveram a liminar de reintegração de posse mas que até o momento não foram cumpridas -, num total de mais de 20 mil alqueires. A gente consegue as liminares na Justiça, com a determinação de uso de força policial para garantir a ordem. A Polícia Militar tem boa vontade em atender a todos, só que as liminares esbarram na autorização do governador Jaime Lerner e do secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Com este ato, eles fazem desaparecer o Estado de Direito. Os mandados têm que ser cumpridos, disse Dionéia Dresch.


