O neurologista Pedro Garcia Lopes está prestes a ser aposentado compulsoriamente e não se sente nem um pouco a vontade com a situação. Há 40 anos dando aulas no Hospital Universitário (HU) e com consultório particular, se aposentará no ano que vem.
''Essa é uma lei antiga, de quando a vida média do brasileiro era de 57 anos. Hoje é de 69 anos, uma pessoa de 70 está em atividade, muitos de 80 ainda estão. Oscar Niemeyer ainda trabalha aos 103 anos'', ressalta.
Lopes acredita que a sociedade perde a experiência de uma pessoa que é obrigada a se aposentar e que ainda tem muito a contribuir. Além disso, se não se preparar para esse momento, pode ficar depressivo, já que de um dia para o outro terá que parar com suas atividades, contra sua vontade.
''Boa parte dos professores da área médica tem atividade fora, em consultório particular, e talvez não terá uma alteração tão grande da rotina. Vou sentir em sair (do hospital), mas não será tão problemático como se não tivesse outra atividade'', ressalta.
O neurologista disse que também não pensa em parar e ''descansar''. ''Vou trabalhar enquanto tiver condições. Vai do temperamento de cada um. Tem gente que gosta de viajar muito, eu consigo fazer isso mesmo trabalhando. Meu trabalho é uma forma de hobby'', finaliza.
Alguns, no entanto, não acreditam ser tão ruim se aposentar aos 70 anos. O economista Aristeu Pereira de Carvalho, 75 anos, se aposentou compulsoriamente há cinco. ''Estava em pleno vigor físico e mental para continuar desenvolvendo minhas aulas. Mas por outro lado, também tem uma juventude que quer trabalhar, que precisa ter o seu espaço'', justifica.
Ele conta que desde então aproveita o tempo livre para descansar e viajar com a esposa, também aposentada. ''O segredo é se preparar para esse período. Se o indivíduo para de um dia para o outro, sem perspectiva alguma, pode realmente ficar depressivo, doente.'' (E.G.)

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