Giovani Ferreira
De Curitiba
Depois de uma batalha judicial que durou 10 anos, foi reinaugurada ontem a sede da Sociedade Eunice Weaver, que desde 1942 desenvolve um trabalho de assistência às crianças que sofrem de hanseníase. Em 1989 o governo do Estado desapropriou o local e retirou 260 menores que na época estavam sendo atendidos. A ação de reintegração, que foi concluída somente agora, devolveu o direito de posse à sociedade, que reiniciou as atividades com os portadores de hanseníase, abrindo espaço também para as pessoas com necessidades especiais.
Durante a década que ficou desativada, a sociedade teve seu prédio totalmente depredado. O mato tomou conta do terreno, vidros e portas foram quebrados e toda a estrutura do imóvel ficou comprometida. A restauração foi possível a partir de uma parceria com a Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe), que arcou com os custos da reforma. Segundo Juril Carnascialli, presidente da Sociedade Eunice Weaver, para colocar o local em funcionamento novamente foram necessários R$ 700 mil.
Em atividade há um mês, atualmente existem 50 jovens sendo assistidos pelos programas oferecidos pela entidade. Ao contrário do que acontecia antes, quando o atendimento contemplava inclusive crianças recém-nascidas, hoje a sociedade recebe jovens com idade mínima de 15 anos. De acordo com Juril, os trabalhos de assistência assumiram uma característica profissionalizante.
Com a retomada das atividades estão sendo oferecidos cursos de informática, cartonagem, costura e marcenaria. Nos próximos dias deve começar a funcionar no local uma panificadora. Segundo Juril, todos os produtos confeccionados pelos jovens devem ajudar no custo de manutenção da sociedade, que está programando uma série de atividades alternativas para angariar recursos financeiros.
Juril explicou que a sociedade deve mover um processo contra o governo, pedindo uma indenização pelos prejuízos financeiros e sociais causados durante esses 10 anos. Além do trauma da desapropriação e fechamento de uma entidade social, durante esse tempo foram destruídos e desativados uma série dependências, como consultórios médicos e odontológico, que prestavam assistência às crianças.
O terreno onde funciona a sociedade foi doado pelo governo do Estado em 1941. Quando foi inaugurado, em 1942, o complexo levava o nome de Educandário Curitiba, que na época era mantido pela sociedade. A partir de 1943, até o seu fechamento em 1989, o educandário passou a se chamar Sociedade Eunice Weaver.

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