O primeiro aspecto a ser enfocado quando se fala em violência contra a criança, segundo o pediatra paulista Mário Santoro Júnior, é o fato de ela se apresentar em duas formas básicas: criança vitimada e vitimização da criança.

A primeira é produto de sociedades excludentes como as de países de Terceiro Mundo. São as crianças de rua, prostituídas, que trabalham, que pedem esmola. A criança vitimizada é a que sofre maus-tratos dentro da família. A vitimização da criança, segundo o médico, existe desde os primórdios da humanidade e está presente em todas as sociedades.

O pediatra Mário Santoro Júnior faz um breve resumo da violência doméstica cometida contra a criança. Ao longo da história da humanidade a criança sempre foi tida como propriedade dos pais e/ou do Estado. Só recentemente a criança começou a ser vista como cidadã. As lesões apresentadas por crianças eram tratadas como derivadas de outras doenças. Em 1860, o médico-legista francês Ambroise Tardieu foi o primeiro a estudar uma série de necropsias e suspeitar de maus-tratos em casa.

Mas foi em 1946, a partir de estudos do pediatra radiologista norte-americano Caffey, que a questão passou a ser levantada. Em 1962, adotou-se a classificação da Síndrome da Criança Espancada. (E.P.)

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