Sociedade é geradora de violência, diz pesquisador
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quinta-feira, 04 de dezembro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoJosé Eduardo de Andrade, da PUCA ética do mundo não valoriza o ser humano e a sociedade é cada vez mais violenta não só contra as crianças mas contra todos os indivíduos. A tese foi defendida em Cascavel pelo mestre em Serviço Social e pesquisador do Instituto de Estudos Especiais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), José Eduardo de Andrade. Ele falou para membros de conselhos municipais dos Direitos das Crianças e Adolescentes de várias regiões do Estado.
Andrade já coordenou a Assessoria Técnica da Associação de Conselhos Tutelares do Estado de São Paulo e foi membro do conselho de Indaiatuba (SP). Segundo ele, a violência contra crianças e adolescentes não deve ser considerada exclusivamente como ato que constrange alguém, física ou psicologicamente, de um indivíduo contra outro, e sim avaliada no contexto.
O especialista diz que valores morais facilitam ou dificultam ações violentas e, neste contexto, deve-se considerar que a ética do mundo não estimula a valorização do ser humano e a sociedade dá prevalência à violência. José Eduardo Vieira explica que a sociedade ensina o homem a ser violento paradoxalmente até mesmo para se defender da violência, e cita que a ordem na atualidade é nada por todos e todos por nada - frase da socióloga francesa Vivianne Forrestier, autora de livro de sucesso sobre a economia globalizada.
No caso das crianças e adolescentes, o especialista lembra que eles são violentados com trabalhos muitas vezes pesados, quando não temos emprego nem para os adultos, e acrescenta que isso ocorre porque os primeiros são mais indefesos e de mão-de-obra mais barata. Nesta, e em outras situações, os conselhos tutelares têm sua grande missão a cumprir. José Eduardo de Andrade afirma que a defesa dos direitos das crianças e adolescentes é mais difícil quando se referem ao Estado, como oferta de educação.
A assistente social Maria Aparecida Caldeira, organizadora do curso de qualificação de conselheiros, citou estudo do IBGE e Unicef que reforça as argumentações de José Eduardo de Andrade. Entre as crianças brasileiras na faixa até 14 anos, 19,8 milhões (40% do total) são de famílias com renda mensal de meio salário, 4,6 milhões entre 10 e 17 anos estudam e/ou trabalham e destas 2,7 milhões só trabalham. Do total, 3,5 milhões trabalham mais de 40 horas semanais. Na faixa de 5 a 9 anos, 522 mil trabalham e, destas, 80% em atividades braçais. Mesmo representando mais de 38% de toda a população, crianças e adolescentes recebem apenas 12,4% dos investimentos sociais (no período estudado, entre 91 e 96).


