‘‘A sociedade é cruel com quem tem epilepsia.’’ O desabafo do despachante do Detran, José Francisco Nerone, que se submeteu à cirurgia há três semanas, dá bem a dimensão do preconceito enfrentado pelos portadores de epilepsia.
As convulsões mais pesadas ele teve entre os 6 e 13 anos. Naquela época, só havia um remédio, forte, que dava muito sono e o único exame feito era o eletroencéfalograma. ‘‘Na infância eu sentia muito sono, mas na adolescência para cá fui aprendendo a conviver com isso, com as crises.’’ Nerone, entretanto, se diz uma pessoa de sorte, pois sempre trabalhou por conta, como despachante, e não teve problema de discriminação no emprego. ‘‘Mas tenho conhecidos que não conseguiram e não conseguem arrumar emprego por causa da epilepsia. Eu mesmo senti o preconceito várias vezes, como uma vez em que tive uma crise durante um jogo de futebol no clube, e fui motivo de chacota.’’ (M.G.)

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