'Sociedade deve ter preocupação e indignação'
Brasilia - A subsecretária dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Carmen Oliveira, afirmou que a estimativa de mais de 33 mil assassinatos entre jovens de 12 a 18 anos no período de 2006 a 2012 causou surpresa. ''Isso significa que teremos 13 mortes diárias por assassinatos de adolescentes. Considerando a preocupação brasileira com a gripe suína, em que cada morte é contabilizada dia a dia, é importante que a sociedade tenha a mesma indignação e preocupação com essas vidas perdidas na adolescência.''
Segundo a subsecretária, a SEDH fez esta semana uma espécie de pactuação com gestores municipais e estaduais - sobretudo dos municípios com os maiores índices de assassinato na adolescência - para organizar ações conjuntas, diagnósticos locais e enfrentamento integrado do problema. Ela reconheceu a ineficiência e a insuficiência de políticas públicas, inclusive diante de situações como a evasão escolar. Com isso, lembrou, o adolescente acaba indo para a rua e encontrando na criminalidade uma fonte de sobrevivência.
Na avaliação do representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil, Manuel Buvinich, 60% dos ganhos que o país alcançou com a redução da mortalidade entre crianças de até 5 anos se perdem diante dos altos índices de assassinato de adolescentes. A coordenadora do Programa de Redução da Violência Letal do Observatório de Favelas, Raquel Viladino, traçou um perfil dos que mais morrem por homicídio: são meninos, negros e moradores de favelas ou de periferias dos centros urbanos. Segundo ela, há ainda forte relação com o tráfico. (Marcello Casal JR/ABr)





