Sociedade debate ouvidoria da polícia
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Telma Elorza De Londrina 
O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo e coordenador do Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia, sociólogo Benedito Domingos Mariano, participou ontem à noite, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - subseção Londrina, de um debate com a comunidade sobre o trabalho da ouvidoria naquele Estado. O evento, promovido pelo Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDHL), teve como proposta a discussão sobre a experiência paulista e a mobilização da sociedade em torno da criação de órgão semelhante no Paraná.
Para Mariano, que assumiu a função há cerca de quatro anos, a ouvidoria é hoje um dos mais importantes mecanismos no combate a impunidade e na transparência do trabalho das polícias Civil e Militar de São Paulo. Uma polícia fiscalizada tem muito menos chances de cometer arbitrariedades, de ser corrupta e ineficiente, afirmou. Segundo ele, desde a criação da ouvidoria por decreto do governador Mário Covas em 95 e, posteriormente, através de lei, em 97 , já foram ouvidas mais de 30 mil pessoas, instaurados cerca de 15 mil procedimentos que resultaram em punição a 2.533 policiais . São números razoáveis se considerarmos que antes não existia nenhum tipo de controle externo, apontou.
Para o sociológo, foi através do trabalho do órgão que a sociedade paulista teve acesso a fatos que antes eram mantidos em sigilo, como o alto número de policiais militares que cometem suicídio, e que ultrapassa em muito o número de policiais mortos em serviço. E foi através da ouvidoria que apresentamos ao governo (paulista) mais de 45 recomendações visando melhorias no sistema policial do Estado. Destas, apenas sete foram implantadas. É pouco? É. Mas já é um começo, afirmou.
Segundo Mariano, que é também presidente do Fórum Nacional de Ouvidores de Polícia, o ideal é que todos os Estados brasileiros criem suas ouvidorias, independentes e autônomas, sem vínculos com as polícias Civis e Militares . Atualmente, apenas seis estados São Paulo, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Pernambuco têm ouvidorias nestes moldes. No Ceará e na Bahia, os ouvidores são policiais da ativa e isto limita a atuação do órgão, disse.


