Sociedade Beneficente nasce em 1936
Mais do que noticiar aquela primeira reunião, 76 anos atrás, o Paraná-Norte havia induzido os participantes. Seu diretor, Puiggari Coutinho, sensível à sugestão do professor Joaquim Petrole e do vereador Honório Martins Ribeiro, decidira que o jornal seria o veículo da campanha pela construção do hospital, envolvendo ''o único homem'' capaz de levá-la adiante, o diretor-gerente da CTNP, Arthur Thomas. E assim ocorreu, pelo ''excelente relacionamento entre Coutinho e Thomas.''
O restrito ''hospitalzinho'' da CTNP (três quartos e 12 leitos) cobrava rigorosamente pelos atendimentos exclusivamente a cargo seus médicos, sendo inacessível a outros. Representado pelo médico delegado de higiene, o Estado não tinha nenhuma estrutura hospitalar no extenso município (923 mil alqueires) em que se distribuíam pelo menos 15 mil habitantes em 1936, muitos em lotes recém-abertos, sem gerar renda substancial; outros simples trabalhadores rurais e urbanos.
Cidadãos voltaram a se reunir em 1º de março de 1936, ''a fim de tratar da fundação de uma sociedade beneficente que tome a seu cargo uma casa de caridade capaz de socorrer os necessitados de recursos médicos e hospitalização''. Nasce a Sociedade Beneficente de Londrina (depois Irmandade da Santa Casa), com 28 membros, sob a presidência de Thomas. Mobiliza-se ''toda a comunidade, sem distinção política ou religiosa, social ou econômica'', programando festas, rifa de automóvel e o recebimento de doações em dinheiro, produtos agropecuários, terrenos etc.
Por motivos diversos, entre as quais a suspeita de que o futuro hospital seria monopolizado pela CTNP, por vezes a campanha recua e se constata que, mais urgente, é a manutenção do ''hospitalzinho dos indigentes''. Precário, ele existe; a Santa Casa, tão necessária, é apenas um projeto enquanto aumentam as vítimas dos males do sertão.
''Tratávamos a doença (tifo) com derivados fenicóis, por via endovenosa. Mortes ocorriam às dezenas, causadas por peritonite, devido à perfuração intestinal. Este o quadro dantesco que enfrentamos naqueles idos de 1937'', relatou o médico Adolfo Barbosa Góis.
No período 1938-1944, o interventor no Estado, Manoel Ribas, não permite o repasse integral do adicional de 10% sobre os impostos municipais para a manutenção do hospitalzinho e a construção da Santa Casa, contrariando decreto do prefeito Willie Davids.
Entretanto, a comunidade pôde iniciar a construção, em 13 de agosto de 1940, numa área de 12 mil metros quadrados doada pela CTNP, projeto dos engenheiros Ulysses Medeiros e Gregório Rosenberger, membros a Irmandade. Com aproximadamente 4 mil metros quadrados, em três andares e capacidade para 150 internos, custou 700 mil cruzeiros, importância quase toda arrecadada pela comunidade, somados 60 mil da Legião Brasileira de Assistência (LBA) e 50 mil da CTNP.
''A casa de todos, pois nas suas paredes ao menos um grão de areia procede do mais humilde ou do mais pobre habitante de Londrina'', declarou o provedor, José Bonifácio e Silva, na inauguração, em 7 de setembro de 1944. (W.S.)





