Sobrinhos estão livres de acusação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
O promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Camões Iassaka, disse ontem que, por falta de provas nos autos do inquérito policial, não existem indícios de que o pioneiro Olavo Godoy tenha sido assassinado. Com isso, o promotor não vai oferecer denúncia contra o sobrinho Álvaro Lázaro de Godoy e sua esposa Josyê Godoy, principais suspeitos pela morte do pioneiro. Olavo morreu no Hospital Evangélico, no dia 22 de dezembro do ano passado. Ele foi encontrado caído sobre uma poça de sangue em seu quarto, na sede da fazenda Santa Helena (zona sul de Londrina), onde morava com os sobrinhos.
Mesmo não oferecendo a denúncia de assassinato, no meu despacho eu propus que Josyê e Álvaro sejam julgados por omissão de socorro e maus-tratos contra o pioneiro Olavo. Pedi também que os sobrinhos respondam pelas ameaças que praticaram contra os empregados da fazenda, afirmou Iassaka. Ele explicou que o processo deverá ser encaminhado para outra Vara Criminal, pois a sua atende somente casos de crimes contra a vida.
O inquérito policial foi presidido pelo delegado do 6º Distrito Policial, Edson Casagrande. Na época em que ouvia as testemunhas, ele revelou ter encontrado muita dificuldade na investigação, pelas contradições entre os depoimentos. O delegado chegou a ameaçar de prisão Josyê por ameaça a testemunhas. Uma empregada da fazenda, Rosana Aparecida Martins, prestou depoimento duas vezes. Na primeira ocasião, nada revelou de importante. Na segunda vez, denunciou que no primeiro depoimento havia sofrido coação de Josyê Godoy e afirmou que ela e Álvaro Lázaro de Godoy não permitiram que o pioneiro fosse levado imediatamente para o hospital. Ele teria sido encontrado caído no quarto por volta das 9 horas, mas somente às 15 horas foi levado para o Hospital Evangélico. Olavo morreu depois de sofrer uma síncope cardiaca, quando recebia atendimento no HE.


