Sobrevôos continuam, mas com novas normas
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sexta-feira, 16 de maio de 1997
Valmir Denardin Sucursal de Foz do Iguaçu 
Os vôos panorâmicos de helicóptero sobre as Cataratas do Iguaçu continuarão sendo realizados, mas terão horário determinado, os aparelhos serão obrigados a voar a altitudes maiores e o heliponto será transferido para um local mais distante do atual. As mudanças fazem parte de um acordo firmado entre o Ministério do Meio Ambiente brasileiro e a Secretaria de Recursos Naturais e Ambiente Humano da Argentina.
Assinado em Foz do Iguaçu, o acordo estabelece que a altitude dos vôos sobre o conjunto de 275 saltos no Rio Iguaçu, na fronteira entre os dois países, seja aumentada em 200 metros, passando de 400 metros para 600 metros. O horário dos vôos, até agora sem restrição, será reduzido para seis horas diárias, das 9h30 às 15h30.
Outra mudança será a transferência do heliponto (local de pouso e decolagem). Atualmente, o heliponto está instalado na entrada do conjunto de saltos, às margens do Rio Iguaçu. O heliponto será instalado em um local mais distante, de fácil acesso para os visitantes, mas que não provoque muito impacto ambiental, informou o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Julio Gonchorosky.
A comissão binacional formada para regulamentar os vôos estabeleceu o prazo de cinco meses para a tranferência do heliponto. Deverá ser uma área dentro do parque, afirmou Gonchorosky. Segundo ele, as outras medidas incluídas no acordo serão cumpridas após um prazo de adaptação da empresa Helisul, que realiza o serviço.
Pelo acordo, que vai vigorar até 1999, os pilotos dos aparelhos evitarão invadir o espaço aéreo argentino durante os vôos. Isso só poderá acontecer em casos de emergência quando, por questão de segurança, forem necessárias manobras sobre o lado das Cataratas pertencente ao país vizinho.
Os passeios de helicóptero no local são realizados há 25 anos. Isso sempre desagradou o governo argentino, que há vários anos proibiu esse tipo de vôo na parte do parque do Iguaçu que fica em seu território.
Em abril, o país vizinho ameaçou romper o convênio que unifica o tráfego áereo na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), o que poderia inviabilizar pelo menos parte das operações nos aeroportos de Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú (Argentina) e Ciudad del Este (Paraguai).
Os argentinos alegam que os vôos prejudicam o ecossistema do parque. Durante encontro no Rio de Janeiro, em abril, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem decidiram criar a comissão binacional para regulamentar os vôos. Essa decisão tornou sem efeito a ameaça argentina.


