Quatro meses depois do acidente em que quase morreu, Eusébia Choque Vanga, 25 anos, tem certeza de uma coisa: não quer voltar para casa de jeito nenhum. Ela, o marido Germano e a filha Jessica, de 5 anos, estavam no ônibus de bolivianos que sofreu um acidente no trevo de Arapongas, no início de setembro do ano passado. Eusébia machucou a coluna, o fígado e ficou um mês hospitalizada. A filha quebrou o pé e só este mês voltou a andar normalmente.
A família Vanga e vários outros passageiros se recuperaram na Associação de Apoio Sagrada Família, uma instituição de caridade em Arapongas. Os outros bolivianos já foram embora mas Eusébia, o marido e a filha ficaram. ''Não vamos voltar de jeito nenhum para La Paz. Já nos acostumamos aqui'', diz Eusébia.
A luta dos Vanga agora é para conseguir a documentação que vai permitir que eles não só permaneçam mas também trabalhem no Brasil. Germano viajou em dezembro para a Bolívia e deve estar de volta na semana que vem: ''Ele foi buscar os nossos documentos e trazer o nosso outro filho, Henri, de 3 anos'', conta Eusébia.
Com os documentos em mãos, ela pretende retomar o ofício de costureira. ''Na Bolívia eu fazia calças, blusas e todo tipo de roupa. Meu sonho é arrumar emprego numa fábrica'', confessa.
Dos 50 bolivianos que estavam no ônibus, além da família Vanga, uma outra família também permaneceu em Arapongas, alojada em outro local. ''São um casal com dois filhos pequenos e um outro de 19 anos. Eles também querem ficar trabalhando aqui mas ainda não conseguiram a documentação'', informou Luis Munhoz, funcionário da instituição. ''Estamos torcendo para que essa situação se resolva e eles possam ter uma vida normal outra vez''.

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