Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A crise que atinge o turismo de compras está levando empresários instalados no trecho da BR-277 entre Foz do Iguaçu e Cascavel a redirecionar seu público-alvo. Eles estão deixando de buscar o sacoleiro – uma espécie em extinção – para atrair principalmente os turistas que passam pela região com destino a Foz.
Reportagem da Folha publicada domingo mostra que a maior parte dos grandes estabelecimentos desse eixo destinados a atender sacoleiros já fechou as portas. O fluxo de compristas brasileiros que cruza a região com destino a Ciudad del Este, no Paraguai, caiu mais de 75% entre 1994 e este ano – de 4,2 milhões de pessoas para 1 milhão.
Quando percebeu que o movimento de sacoleiros caía, o empresário Durvalino Nadin, de 49 anos, resolveu garantir o faturamento de seu restaurante, o Rota Oeste, em Santa Tereza do Oeste (19 km de Cascavel), com os passageiros de ônibus convencionais.
Nadin fechou convênio com as empresas Unesul, Pluma, Cattani e Catarinense. Hoje, uma média de 12 ônibus intermunicipais e interestaduais param para refeições no local. ‘‘Com eles, estamos conseguindo manter um pouco a clientela’’, afirma o empresário.
Com capacidade para atender 600 pessoas, o Rota Oeste – último grande restaurante inaugurado no trecho, há três anos – hoje recebe, nos dias de maior movimento, no máximo 25 ônibus de sacoleiros. Logo após a inauguração, esse número chegava a 70 veículos, às quartas-feiras e aos sábados. ‘‘Naquela época, os ônibus viajavam lotados e, hoje, vêm com, no máximo, oito ou dez passageiros’’, lamenta Nadin.
Inaugurado há dez anos, o Medianeira Plaza Hotel, de Medianeira (65 km a nordeste de Foz do Iguaçu) hoje tenta atrair turistas, empresários e vendedores em viagem pela região. A churrascaria do hotel, com 350 lugares, foi fechada há três anos.
Classificado como quatro estrelas pela antiga tabela da Embratur, o hotel aposta no preço baixo e no conforto para atrair clientes. O preço da diária em apartamento simples custa R$ 40,00 – menos da metade da média em estabelecimentos similares de Foz do Iguaçu. Com 59 apartamentos, recebe, em média, 40 hóspedes por semana.
Uma placa luminosa em frente ao prédio ainda anuncia o preço de tempos atrás, quando a diária em apartamento duplo custava inacreditáveis R$ 25,00. O letreiro também guarda marcas de decadência. Algumas letras da palavra ‘‘Medianeira’’ caíram e ainda não foram repostas.
Há um mês, o grupo que administra o hotel há um ano refez um convênio com o Clube Candeias para hospedar associados. Esse convênio havia sido suspenso quando o empreendimento entrou em decadência e quase foi fechado.
Outro ‘‘sobrevivente’’ da crise no comércio da rodovia é o restaurante Castelinho, de Matelândia (80 km a nordeste de Foz do Iguaçu). Réplica de um castelo medieval, construído há 13 anos com pedra basáltica do Rio Grande do Sul, o restaurante de comida italiana se tornou uma atração turística na rodovia.
‘‘Nunca visamos o sacoleiro. Nosso público é o comprista que viaja de carro e as famílias em viagens de passeio’’, diz o dono do empreendimento, Cladio Dal Pozzo, de 40 anos. O sucesso do castelo medieval foi tanto que, há poucos anos, o empresário ergueu ao lado uma pirâmide de policarbonato e concreto, onde montou uma casa de salada de frutas. O contraste atraiu ainda mais clientes ao local.Estabelecimentos que não fecharam com a crise dos sacoleiros buscam o turista convencional que passa pela região em direção a Foz
Ney de SouzaPÚBLICO GARANTIDOClaudio dal Pozzo e seu castelo medieval: convênio com empresas de ônibus garante movimento

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