Marcos BorgesVida novaO músico Marcus Comar afirma que conseguiu a cura da síndrome depois de 8 anos de sofrimento: ‘‘Você tem medo de tudo. Até de si mesmo’’O músico Marcus Comar, 46 anos, de Arapongas (37 quilômetros a oeste de Londrina), lança este mês o livro ‘‘Medo e Pânico: Eu Superei’’, sobre o síndrome do pânico. Hoje, ele se diz curado da doença, que o atormentou durante oito anos, Comar descreve toda a sua experiência e a técnica que desenvolveu para fugir do mal. Com uma linguagem simples, ensina como o contato com a natureza, exercícios físicos e oração ajudam a combater a doença.
Ele conta que a síndrome do pânico é ter medo do medo. ‘‘Você tem medo de tudo, até de si mesmo. Nunca tive problemas de saúde, disfunção orgânica. De repente, me vi dominado pela síndrome’’, comenta. A síndrome começou em 1986, quando retornava de carro de Rolândia para Arapongas.
Num determinado ponto da estrada, ele teve uma taquicardia (aumento do ritmo de batidas do coração). ‘‘Pensei em parar o carro, mas aí veio o medo do que pudesse acontecer. Resolvi continuar. Então veio o medo que a roda do carro saísse ou que outro carro batesse em mim’’, relata. Naquela noite, ele não dormiu.
Comar procurou ajuda médica, mas ninguém conseguiu explicar a taquicardia. Fez eletrocardiogramas e exames, que apontaram stress. Ele começou a tomar medicamentos, nem sempre com orientação médica. ‘‘Nada ajudava. Com o passar dos dias, outros medos foram surgindo, acompanhados de outros sintomas, como sentir a circulação do sangue pelo meu corpo’’.
Idéias suicidasAtrás de uma solução para seu problema, Comar procurou especialistas, e inclusive chegou a fazer um exame mental. ‘‘Gastei verdadeiras fortunas com médicos e medicamentos, mas nada dava efeito ou apresentava diagnósticos’’. E durante toda esta agonia, ele não contou nada para ninguém. Ele conta que a família desconfiou que estava com algum problema, mas como as reclamações eram constantes, passaram a não acreditar mais nele. Para os amigos, ele estava louco.
‘‘Eu cheguei ao ponto de precisar me isolar dos outros, pois tinha medo de tudo e de todos’’, conta. Junto com o problema, aparentemente sem solução, veio a vontade de se suicidar. Comar alega que imaginou várias formas de se matar. ‘‘Mas ao mesmo tempo em que queria me matar, tinha medo de não ser bem-sucedido. Por isso não me matei’’.
Durante uma viagem que a mulher dele fez para o Nordeste, veio a decisão de tentar enfrentar o problema. ‘‘Na noite em que ela viajou, me tranquei em casa, apaguei as luzes e fiquei no quarto. Me deu taquicardia, mas procurei controlar a respiração e a fazer exercícios. Também redescobri Deus e comecei a fazer orações, pedindo ajuda’’, relata.
Foram necessários cinco meses para que conseguisse se equilibrar emocionalmente. A cada crise que se iniciava, ele procurava controlar a respiração, fazer alguns exercícios e rezar. ‘‘A pedido dos amigos que souberam do meu problema foi que resolvi escrever o livro, sem pretenção de me tornar um médico. Acho que as pessoas devem procurar ajuda de um psicólogo, o que eu não fiz. Associado a isso, muito exercício e auto-controle’’.
O livro, publicado pela Gráfica e Editora Imagem, de Cambé, estará a venda em todas as bancas de jornais da região nas próximas semanas. O lançamento oficial do livro de Comar acontece em dois eventos: no dia 22, no Centro Cultural de Cambé, e no dia 28, na Biblioteca Pública de Arapongas. Estes eventos fazem parte da programação dos 50 anos dos dois municípios.

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